ACâmara Municipal de Lisboa vai injetar mais 6,6 milhões de euros no orçamento global da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), fazendo disparar a despesa total com o evento para 40,2 milhões de euros, mais 5,2 milhões do que o previsto, segundo os cálculos do Dinheiro Vivo com base nos dados mais recentes enviados ontem pela autarquia. Recorde-se que o presidente do município, Carlos Moedas, tinha garantido, em janeiro deste ano, que o custo da JMJ não iria ultrapassar os 35 milhões de euros: "Quando cheguei [à Câmara de Lisboa], a minha preocupação foi limitar os custos. Fui eu que disse que a Câmara não ia gastar mais do que 35 milhões de euros".
Neste momento, e de acordo com a informação disponibilizada no site da JMJ Lisboa, do orçamento de 35 milhões, o concelho já tem despesa adjudicada na ordem dos 33,6 milhões de euros. Se somarmos agora os 6,6 milhões do orçamento camarário, o gasto total já supera os 40 milhões de euros.
Esta verba adicional destina-se a melhorar a higiene urbana da cidade. Trata-se de "um investimento feito pelo orçamento comum da autarquia, extra orçamento JMJ, e que fica na cidade", segundo o documento do município. A autarquia ainda foi questionada pelo Dinheiro Vivo sobre a aplicação concreta dos 6,6 milhões no reforço dos equipamentos do concelho na área da higiene urbana, mas até ao fecho da edição não obteve resposta.
Além do investimento adicional que vem dos cofres municipais, serão gastos mais 6,8 milhões de euros do orçamento da JMJ em segurança e camas em escolas para peregrinos, especificamente para o evento que se realiza entre 1 e 6 de agosto e que contará com a presença do Papa Francisco.
A polícia municipal terá mais 514 agentes, numa despesa de 1,1 milhões de euros, e o Regimento de Sapadores de Bombeiros da capital vai receber 1100 funcionário e 160 viaturas, sendo que o reforço do dispositivo por dia pode ir até aos 150 homens. De acordo com a informação disponibilizada por Lisboa, "o investimento em equipamentos e viaturas de bombeiros deverá atingir os 5,2 milhões de euros". Em relação aos serviços municipais de Proteção Civil, haverá mais 60 elementos afetos à JMJ e serão gastos 500 mil euros em equipamentos.
A autarquia está também a trabalhar para aumentar a oferta de camas em escolas, prevendo 115 instalações que serão capazes de dar resposta a 42 mil peregrinos. Serão ainda criados 400 pontos de acesso a água potável na via pública em toda a cidade de Lisboa. "Aos preexistentes 205 bebedouros, cuja manutenção está a ser assegurada, vão juntar-se 200 novos pontos que estão em fase de construção", diz o documento da câmara.
Quanto às 40 casas de banho públicas da cidade, cuja gestão está a cargo das freguesias e concessionários, o município compromete-se a "assegurar que todas as que forem disponibilizadas e identificadas para uso estejam em condições", segundo informação enviada ao Dinheiro Vivo. Para além disso, "a Câmara Municipal de Lisboa está a proceder à reparação das instalações sanitárias do Parque Eduardo VII, que são igualmente fundamentais, por se encontrarem no recinto em que vai decorrer a JMJ nos dias 1, 3 e 4 de agosto", de acordo com o mesmo documento.
No Pavilhão Carlos Lopes, irão funcionar o posto de comando tático nacional, o centro de coordenação operacional municipal de Lisboa e o centro de imprensa. "Cerca de 300 jovens embaixadores de Lisboa vão dar apoio aos habitantes e aos visitantes da cidade ao longo dos dias em que decorrem as JMJ", acrescenta o município.
A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) aconselha as empresas da Região de Lisboa a implementar o regime de teletrabalho entre os dias 31 de julho e 4 de agosto, por causa da JMJ, segundo um comunicado enviado ontem. O presidente da CCP, João Vieira Lopes, explica que a confederação decidiu "recomendar o regime de teletrabalho durante os dias das JMJ para que as empresas dos setores dos serviços e do comércio possam adequar da melhor forma a sua atividade aos constrangimentos existentes". Ainda assim, Vieira Lopes reconhece que em muitas áreas, como o comércio alimentar, a restauração, o transporte rodoviário de passageiros e de mercadorias, "o trabalho presencial será determinante para o sucesso da JMJ". Por isso, nestes casos, "será necessário garantir as condições de operacionalidade e de circulação, devidamente conjugadas com as entidades oficiais", alerta.
A CCP junta-se à Confederação Empresarial de Portugal (CIP) que já tinha recomendado aos seus associados a adoção do trabalho remoto. No início de julho, o presidente da CIP, Armindo Monteiro, revelou que entregou uma proposta aos seus associados que "recomenda o teletrabalho durante a Jornada Mundial da Juventude".
A Câmara de Lisboa vai conceder tolerância de ponto aos trabalhadores do município no dia 4 de agosto, para poderem participar na JMJ, e recomenda o teletrabalho de 31 de julho a 3 de agosto. Também o governo decidiu dar tolerância de ponto a 3 e 4 de agosto aos funcionários públicos que trabalhem em Lisboa.