O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, acusou hoje a 'troika' de ser responsável pelo aumento da dívida portuguesa, em reação à sugestão de redução da despesa do chefe de missão do FMI, Abebe Selassie.
"A 'troika' não fez nenhum favor a Portugal, aumentou a dívida todos os dias, fazendo com que a desgraça da economia e da vida das pessoas aumentasse imenso", salientou, em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita ao campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, na ilha Terceira.
Para Francisco Louçã, a redução da despesa a que Abebe Selassie se referiu "quer dizer despedimentos de funcionários públicos e cortes no Serviço Nacional de Saúde", considerando que "tudo isso é insuportável".
O líder bloquista defende, nesse sentido, que "o cancelamento da dívida e a anulação das condições ilegítimas impostas pelo memorando da 'troika' é a única medida sensata", acrescentando que "Portugal está a pagar uma dívida que não fez, porque a acumulação de juros abusivos leva a que se pague o dobro ou o triplo daquilo que foi pedido emprestado".
Louçã realçou ainda que todas as vezes que a 'troika' tem vindo a Portugal "tem sido para acentuar a austeridade", reforçando que a dívida aumentou e que "200 mil novos desempregados durante um ano é uma catástrofe social nunca vista".
"O que os portugueses sabem é que tudo o que seja dito não vale, quando aumentam os impostos, quando há um aumento de alunos por turma, que leva ao maior despedimento de professores da história de Portugal, quando não devolvem os subsídios de férias e de Natal aos funcionários, apesar de serem inconstitucionais", salientou.