Lucros: Banco do Estado vale um terço dos 2,5 mil milhões da banca

Lucro da banca disparou 70% em 2022 para 2,5 mil milhões de euros. Resultado líquido dos seis maiores bancos a operar em Portugal beneficiou do aumento da margem financeira, que disparou 28%, à boleia do aumento das taxas de juro, e das comissões bancárias, que renderam 2,5 mil milhões de euros.
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Num ano pautado pela guerra, inflação galopante e inversão da política monetária por parte do Banco Central Europeu (BCE), o setor da banca em Portugal foi feliz. Em 2022, as seis maiores instituições financeiras a operar no país alcançaram, no seu conjunto, um resultado líquido superior a 2,5 mil milhões de euros - quase sete milhões de euros por dia -, o que, comparando com os 1,5 mil milhões de 2021, representa uma melhoria de quase 70%.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) encabeçou a lista dos ganhos, ao atingir lucros quase históricos de 843 milhões de euros, ficando a uma distância de apenas 13 milhões de 2007 - o seu melhor ano de sempre - e 44,5% acima de 2021. O Santander Totta, por seu turno, protagonizou os maiores ganhos da banca privada, ao praticamente duplicar o resultado para 568,5 milhões de euros, um acréscimo de 269,9 milhões relativamente ao período homólogo.

Já a maior subida coube ao Montepio. O mais pequeno dos seis bancos conseguiu ganhar fôlego e quintuplicar o resultado líquido, passando de 6,6 milhões de euros em 2021 para 33,8 milhões no ano passado, o que traduz um avanço de 412%. O Novo Banco, que em fevereiro deste ano viu dar por concluído o processo de reestruturação, surge em seguida, com uma triplicação dos ganhos para 560,8 milhões de euros.

No caso do BPI, a variação anual do resultado líquido foi menor, mas positiva. A instituição liderada por João Pedro Oliveira e Costa obteve lucros na ordem dos 365 milhões, que comparam com os 307 milhões de euros do exercício transato, um reforço de 19%. Do outro lado está o Millennium BCP. Apesar de ter lucrado mais 50,3% do que em 2021, elevando o valor em causa para 207,5 milhões, o banco cotado na bolsa de Lisboa viu o resultado ser prejudicado pela atividade na Polónia, num rombo que compreendeu 216,7 milhões de euros.

Fechadas as contas, a conclusão fica à vista: 2022 foi um ano de sucesso para a banca portuguesa, que conheceu o melhor resultado dos últimos tempos, em virtude não só da redução de provisões e imparidades, como também do aumento das taxas de juro, que fez disparar a margem financeira em 28%. Em termos consolidados, este indicador, referente à diferença entre os juros cobrados e os juros pagos, totalizou 5,7 mil milhões de euros no ano passado, número que fica lado a lado com os 4,4 mil milhões registados em 2021.

As comissões bancárias cobradas pelos seis maiores bancos do país durante o ano passado geraram uma receita global tão elevada quanto os lucros por estes obtidos. No total, a CGD, Santander, Montepio, Novo Banco, BPI e Millennium BCP receberam 2,5 mil milhões de euros em comissões por serviços prestados e produtos oferecidos. Trata-se de uma subida acumulada de 6,4% em relação a 2021, período em que as mesmas instituições cobraram 2,4 mil milhões em comissões.

O banco presidido por Miguel Maya foi o que mais receitas arrecadou com as comissões, tendo embolsado 771,9 milhões de euros, seguindo-se logo atrás a Caixa Geral de Depósitos (606 milhões), o Santander Totta (470,3 milhões), o BPI (296 milhões), o Novo Banco (293,3 milhões) e o Montepio (120,5 milhões). A maior subida face ao ano transato foi a da instituição liderada por Pedro Castro e Almeida: 10,2%.

Ao nível dos depósitos de clientes, nenhum dos bancos registou baixas - pelo contrário, o produto cresceu, com as instituições a encaixarem mais 13 mil milhões. No final de dezembro de 2022, os depósitos de particulares e empresas totalizavam 270 mil milhões de euros, um aumento de 5% comparativamente com 2021. O banco público encontra-se no topo da lista dos que mais poupança acolhe, com 83,8 mil milhões, assim como o BCP, que somava à data 75,9 mil milhões - juntos, representam quase 60% do valor depositado.

Apesar de ter registado um ligeiro progresso face ao ano anterior, a carteira total de crédito dos principais bancos deu sinais de abrandamento durante 2022, em consequência das dificuldades financeiras provocadas pela inflação galopante, cuja variação média anual se fixou nos 7,8%, de acordo com o INE.

Facto é que esta carteira nem uns tímidos 1% engordou, apontando a variação absoluta para os 2,1 mil milhões de euros. No seu conjunto, o valor total dos empréstimos concedidos pelas instituições financeiras ascendeu a 220 mil milhões de euros, graças à performance da CGD, BPI e Novo Banco, já que o Santander, BCP e Montepio conheceram perdas.

E, falando-se em perdas, os seis bancos fecharam o ano com menos 733 trabalhadores e 115 balcões em Portugal, tendo a Caixa Geral de Depósitos liderado a saída de colaboradores (280) e o fecho de dependências (27). Seguem-se o Santander (161 profissionais e nove agências, respetivamente), Novo Banco (103/19), Montepio (78/15), Millennium BCP (37/26) e BPI (74/19).

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