

O resultado líquido da Jerónimo Martins subiu 7,9% no ano passado, face a 2024, para 646 milhões de euros, divulgou esta quarta-feira a dona das cadeias de retalho Pingo Doce, Biedronka e Ara. Em 2025, as vendas consolidadas subiram 7,6% (+6,7% a taxas de câmbio constantes), para 35.991 milhões de euros.
"Este crescimento robusto das vendas, aliado ao reforço da disciplina de custos, da eficiência operacional e das medidas de produtividade, permitiu proteger as margens em relação à forte pressão competitiva, aumento dos custos com remunerações, e outras fontes de inflação de custos", refere a Jerónimo Martins, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
O resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) ascendeu a 2.480 milhões de euros, uma subida 11,1% face ao ano passado.
Em 2025, "o grupo investiu mais de 360 milhões de euros em medidas de reconhecimento a colaboradores", refere.
Na Polónia, a Biedronka registou um crescimento de vendas de 5,9% (em moeda local), com um LFL ['like-for-like', ou seja, vendas em lojas que operaram sob as mesmas condições no período em análise] de 1,9%.
"No ano em que celebrou o seu 30.º aniversário, a Biedronka ultrapassou, assim, os 25 mil milhões de euros de vendas, mais 7,5% do que em 2024, e reforçou, uma vez mais, a sua quota de mercado". O EBITDA aumentou 9,8% (+8,1% em moeda local).
"A Biedronka executou o plano de expansão tal como planeado e inaugurou 181 novas lojas no ano (152 adições líquidas), tendo remodelado 200 localizações", refere o grupo, adiantando que "a operação de comércio eletrónico com entregas ultrarrápidas (Q-commerce), que opera sob a marca Biek, fechou o ano com 28 micro 'fulfilment centres', dos quais 5 abertos em 2025".
Também no ano passado arrancaram os investimentos em dois novos centros de distribuição na Polónia, sendo um deles automatizado e com abertura prevista para 2027.
Quanto à polaca Hebe, que tem atividade na área da saúde e bem-estar, esta operou, "ao longo de todo o ano, num contexto marcado por uma intensa e crescente concorrência de preços, que levou a insígnia a registar deflação no cabaz".
A insígnia registou um aumento das vendas em 5,7% (em moeda local), com o LFL a fixar-se em 1,0%. "Em euros, as vendas atingiram 626 milhões, 7,4% acima de 2024" e o EBITDA cresceu 9,7% (+8,0% em moeda local).
A Hebe "registou 16 aberturas de lojas no mercado polaco (11 adições líquidas), a que acresceu a abertura de mais duas lojas na República Checa".
Em Portugal, o Pingo Doce "manteve, ao longo de todo o ano, a intensidade das suas reconhecidas ações comerciais e avançou no plano de investimento que prioriza a conversão das lojas para o conceito All About Food, reforçando a sua diferenciação na oferta de frescos e de soluções de comida pronta".
As vendas do Pingo Doce subiram 5,3% para os 5,3 mil milhões de euros, e um LFL de 4,0% (excluindo combustível). Já o EBITDA aumentou 8,5%, tendo a respetiva margem subido para 6,0% (5,8% em 2024), "impulsionada pelo crescimento das vendas e pelas iniciativas para aumentar a produtividade e contrariar a pressão dos custos".
Em 2025, "foram remodeladas 52 lojas e abertas 9 novas localizações (8 adições líquidas)".
Relativamente ao Recheio, este registou "um bom desempenho de vendas, com a contribuição sólida do canal HoReCa [Hotéis, Restaurantes e Cafés]".
No canal tradicional, destaque para "a expansão da rede de lojas da parceria Amanhecer que, no ano, atingiu 758 localizações, mais 52 do que no ano anterior".
As vendas subiram 3,0% para 1,4 mil milhões de euros, com um LFL de 3,0%, e o EBITDA aumentou 4,6%.
"No que se refere ao plano de investimento, o Recheio focou-se na remodelação da loja de Évora - com especial atenção dedicada às novas soluções implementadas na área de frescos - e na construção de uma nova loja em Lisboa, inaugurada já no início de 2026".
Na Colômbia, as vendas da cadeia de supermercados Ara, em moeda local, subiram 17,4%, com um LFL de 5,8%. "Em euros, as vendas totalizaram 3,2 mil milhões, 13,3% acima de 2024".
De acordo com o grupo, "o desempenho foi essencialmente suportado no crescimento dos volumes, já que a insígnia operou com baixa inflação no cabaz (e sempre inferior à inflação alimentar do país) ao longo de todo o ano", e o EBITDA aumentou 37,6% face a 2024 (+42,7% em moeda local).
A Ara "executou, com sucesso, o seu programa de expansão, fechando o ano com um parque de 1.653 localizações, para que contribuíram as 225 aberturas (215 adições líquidas) que incluem as lojas anteriormente operadas pela Colsubsidio".
Investimento de 1,2 mil milhões em 2026, com centenas de lojas novas
O programa de investimento da Jerónimo Martins deverá situar-se em cerca de 1,2 mil milhões de euros este ano. "O programa de investimento mantém-se como primeira prioridade de alocação de capital, devendo, em 2026, situar-se em cerca de 1,2 mil milhões de euros", refere o grupo.
O valor está em linha com o que foi considerado em 2025. Nos mercados onde estão presentes, "antecipa-se que os consumidores continuem a priorizar os preços baixos e as promoções, e que a intensidade da concorrência no retalho alimentar não dê sinais de abrandar".
Na Polónia, "onde o contexto concorrencial permanece intenso, com os consumidores orientados para preços baixos e promoções e a inflação alimentar a registar níveis baixos, a disciplina operacional mantém-se central na defesa da rentabilidade", refere a Jerónimo Martins.
A Biedronka "prosseguirá o desenvolvimento do seu sortido, incluindo reformulações e lançamentos, e alavancando no expressivo número de visitas que regista diariamente para fazer crescer o valor do cabaz em áreas do sortido com potencial identificado", sendo que "expandir e remodelar a rede de lojas continua a ser um pilar fundamental na estratégia" do grupo.
A Jerónimo Martins "prevê, ao longo de 2026, abrir mais de 120 lojas (líquidas) e realizar cerca de 250 remodelações" no mercado polaco.
"O foco na logística permanece, dando seguimento ao projeto do primeiro armazém automatizado e à construção e abertura de um novo centro de distribuição, que elevará o número total para 18".
Na Eslováquia, "a Biedronka deverá avançar com a abertura de 35 novas lojas em 2026, permitindo à companhia continuar a ajustar o modelo de negócio a este novo mercado, enquanto constrói a sua relação com as famílias eslovacas e ganha capital competitivo".
A cadeia de bem-estar e beleza "manter-se-á focada na gestão estratégica do mix de vendas que lhe permitiu proteger a rentabilidade num mercado muito competitivo, enquanto reforça a sua diferenciação".
Em Portugal, o Pingo Doce prosseguirá a execução do plano de investimento, que contempla cerca de 10 aberturas de novas lojas e cerca de 40 remodelações.
O Recheio "abriu já no início de fevereiro uma importante nova loja na zona da Grande Lisboa [...] e a rede de parcerias Amanhecer "continuará a sua trajetória de crescimento, contando neste momento 758 localizações".
Na Colômbia, a Ara "continuará dedicada a assegurar a preferência dos consumidores, prosseguindo com a sua expansão para reforçar presença no mercado e aumentar a sua escala".
Ao longo deste ano, "prevê-se a inauguração de cerca de 200 lojas e, já em janeiro de 2026 foi inaugurado um novo centro de distribuição em Medellin que irá melhorar a infraestrutura logística no país, sendo fundamental para a realização do plano de crescimento estabelecido", acrescenta.
Em 2025, "o programa de investimento totalizou 1,2 mil milhões de euros", um aumento face ao ano anterior, atribuído "ao maior número de aberturas de lojas na Colômbia, ao início dos investimentos em dois novos centros de distribuição na Polónia e ao início das operações da Biedronka na Eslováquia".
O grupo refere ainda que, "àquele valor acrescem 85 milhões de euros de investimentos financeiros, canalizados principalmente para as áreas do salmão e do bacalhau de aquacultura na Noruega".