O grupo Navigator anunciou esta terça-feira lucros de 270,5 milhões de euros nos primeiros nove meses deste ano, o que corresponde a um disparo de 136,7% face a igual período de 2019. De acordo com as contas divulgadas pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, o desempenho deve-se ao aumento das vendas, dada a "evolução favorável de preços".
O volume de negócios da Navigator totalizou 1 822 milhões de euros, mais 62,8% em comparação com os primeiros nove meses de 2021. Também os lucros antes de impostos, juros, depreciações e amortizações [EBITDA], indicador que afere a rentabilidade do negócio, ascenderam a 551,9 milhões de euros, mais 124,4% em termos homólogos, "beneficiando do esforço de melhoria de eficiência, e evolução muito favorável dos preços de venda nos mercados internacionais".
Observando o negócio por segmento, a companhia diz que os preços estão "em máximos históricos" no caso da pasta do papel. "A subida de preços de pasta verificada nos últimos 12 meses permitiu compensar o decréscimo de volumes face ao período homólogo, com o volume de negócios nesta rubrica a refletir uma variação positiva de 42,3%", lê-se.
No caso das vendas de papel de impressão e escrita não revestido (UWF), foram comercializadas 1,1 milhões de toneladas até setembro, com a Navigator a notar "um esforço significativo da companhia em servir as necessidades crescentes dos seus clientes, num enquadramento de constrangimentos da oferta disponível e marcado por graves restrições logísticas". Nesta rúbrica os preços cresceram 4,9% em termos homólogos, sendo que 95% do volume de vendas de papel UWF concretizou-se em mercados externos.
Quanto ao Packaging "foram atingidas vendas superiores a 70 milhões para o setor de embalagem, para as indústrias transformadoras de sacos, de embalagens flexíveis e de cartão canelado". No entanto, a empresa nota que, observando só o terceiro trimestre, verificou-se uma "ligeira desaceleração na procura", o que está associado a um efeito de sazonalidade no verão e a "um sentimento global de invesrsão de ciclo económico" (isto é, inflação e incerteza no futuro das economias).
O segmento tissue totalizou vendas de 77 mil toneladas, cerca de menos de 1% face ao período homólogo.
Relativamente à venda de energia elétrica, a Navigatou totalizou 195 milhões de euros, mais 106% face ao período homólogo.
O nível de investimento até setembro chegou perto dos 65 milhões de euros.
Relativamente ao endividamento do grupo, a Navigator nota que este se reduziu para 372 milhões de euros. O rácio da dívida líquida correspondia a 0,56 vezes o EBITDA no final de setembro. A empresa considera que o nível "reduzido " abre porta a "estratégias de crescimento".
"A companhia está atenta a oportunidades através de investimento e/ou parcerias para o desenvolvimento do seu negócio, nomeadamente oportunidades de eliminação de estrangulamentos de produção nos seus negócios tradicionais, bem como de crescimento nos segmentos de tissue, packaging e energia", lê-se.
Quanto a perspetivas futuras, a Navigator assume que o aumento dos custos do negócio "continua a ser uma das principais preocupações". No entanto, "mantém o plano ambicioso de diversificação e de desenvolvimento de produtos, nomeadamente nos segmentos de "tissue" e "packaging"" embora note que a "pouca visibilidade sobre a evolução da conjuntura geopolítica e macroeconómica" cria um enquadramento que "exigirá uma constante adaptação à realidade".