O resultado líquido da NOS atingiu os 144,2 milhões de euros em 2021, mais 56,7% face ao ano de 2020. A telecom não só recuperou da quebra de 2020, como também superou ligeiramente o último lucro de 2019, ano anterior à pandemia. O lucro de 2021 superou todas as estimativas dos analistas. A empresa pretende distribuir dividendos de 27,8 cêntimos por ação.
De acordo com o relatório enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), esta quinta-feira, a recuperação da NOS deveu-se ao "bom desempenho das telecomunicações" e à "retoma da atividade de exibição cinematográfica". O levantamento gradual das restrições Covid-19 ajudaram a empresa a retomar as vendas de bilheteira de cinema, uma área fortemente penalizada em 2020.
Os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) atingiu os 618 milhões de euros, um crescimento homólogo de 2,5%. A empresa salienta que a melhoria da rentabilidade dos negócios reflete o "forte crescimento operacional". Ainda assim, a rentabilidade da empresa ainda está abaixo da de 2019 (EBITDA era de 640 milhões de euros em 2019). Em 2021, a margem EBITDA deslizou 0,9 pontos percentuais para 43,2%. Não obstante, a indicar o desempenho positivo da área de telecomunicações - o negócio core - está a estabilização do EBITDA de telecomunicações nos 574,4 milhões de euros.
Numa outra nota enviada à redação, Miguel Almeida, CEO da NOS, afirma que 2021 traduz "um desempenho assinalável, cumprindo em absoluto os seus desígnios estratégicos e entregando valor a todos os seus stakeholders, apesar do contexto desafiante". Almeida salienta "o crescimento operacional expressivo e os resultados financeiros sustentáveis" deixam gestores e acionistas da NOS "confiantes e otimistas em relação ao futuro".
Do ponto de vista operacional, as receitas totais consolidadas aumentaram 4,6%, para 1.430 milhões de euros, face a 2020. Estas receitas - realça a NOS - "consolidam a trajetória positiva de crescimento e a solidez das operações". Só as receitas em telecomunicações avançaram 4,1%, para 1,401 milhões de euros.
A contribuir para este nível de faturação esteve "um bom acolhimento" dos serviços da NOS. "No final do ano, a NOS prestava mais de 10,3 milhões de serviços, entre os quais 1,65 milhões de serviços de televisão paga; 5,35 milhões de serviços móveis, dos quais mais de 61,5% pós-pagos; e cerca de 1,5 milhões de serviços de internet de banda larga fixa", lê-se.
Já os serviços convergentes totalizaram os 5,23 milhões no final de 2021, "aumentando para 64,4% a penetração destes serviços na base de clientes de acesso fixo". A receita média por cliente (ARPU) cresceu 3%, para 44,8 euros.
A 31 de dezembro, a NOS servia 5,123 milhões de casas com redes de maior largura de banda. Destas, mais de metade (53,1%) estavam cobertas com fibra ótica, com o operador a destacar "a ambição de fazer crescer a sua rede fixa Gigabit".
No segmento empresarial, a NOS registava 1,581 milhões de serviços a 31 de dezembro, mais 52 mil serviços face ao período homólogo de 2020.
No relatório de contas, a empresa liderada por Miguel Almeida assegura que "continua a fortalecer a sua presença enquanto motor da transformação digital das empresas e instituições nacionais", destacando-se a aposta em soluções de cloud e SaaS, devido a parcerias com as norte-americanas Cisco, a Microsoft ou a Amazon Web Services.
Fora do âmbito das telecomunicações, a NOS destaca a área do entretenimento e audiovisual. As receitas da área de Cinemas e Audiovisuais cresceram 24,6%, para 67 milhões de euros. Apesar das restrições sentidas no início de 2021, a retoma progressiva desta área ainda permitiu registar a venda de 3,451 milhões de bilhetes, o que se traduz num disparo homólogo de 49,5% na bilhética dos Cinemas NOS.
O investimento da NOS cresceu 49% em 2021, face ao nível observado no ano anterior. O investimento total da telecom - medido pelo capex do grupo (exclui contratos de leasing) - ascendeu a 574 milhões de euros.
O operador de telecomunicações sublinha que o nível do capex "atingiu níveis recorde", num ano em que se concluiu o leilão do 5G. A NOS investiu 165 milhões de euros na aquisição de espetro radioelétrico, tendo sido a empresa que mais gastou na corrida às faixas disponibilizadas.
No final de 2021, a dívida financeira líquida situava-se nos 1.032 milhões de euros, o que representa duas vezes o EBITDA. "Um rácio conservador face às congéneres do setor", segundo a NOS.
Com o desempenho de 2021 fechado, o conselho de administração da NOS decidiu propor aos acionistas uma remuneração de 27,8 cêntimos por ação, "em linha com o verificado no ano transato". A proposta ainda será apreciada pela assembleia geral de acionistas, "representando um dividend yield de aproximadamente 8,1%". Mantendo-se as circunstâncias verificadas no exercício anual anterior, os dividendos deverão totalizar cerca de 143,2 milhões de euros.
A NOS é detida em 52,15% pela Zopt - holding participada pela Sonae (50%) e pelas sociedades de Isabel dos Santos Kento Holding (17,35%) e Unitel International Holdings (32,65%). Além do veículo Zopt, a Sonae detém diretamente mais 7,38% do capital, controlando direta e indiretamente 33,45% da NOS. Os restantes 40,47% do capital estão dispersos na bolsa.
Refira-se que a parte da remuneração da Zopt, a ser canalizada para as empresas de Isabel dos Santos (que já não as controla por decisão judicial) deverão ficar congeladas na Caixa Geral de Depósitos, segundo avançou o jornal Eco no verão de 2021.