O resultado líquido da NOS totalizou 138,5 milhões de euros em 2022, menos 4% face ao ano de 2021, de acordo com as contas enviadas esta terça-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O valor do resultado líquido exclui o reconhecimento de mais-valias pela venda de torres à Cellnex, no último ano.
A telecom justifica o resultado com "o crescimento acentuado das depreciações e amortizações como resultado dos fortes investimentos que a empresa tem vindo a realizar, bem como pelo impacto da inflação em toda a estrutura de custos".
Citado em comunicado, o presidente executivo da NOS, Miguel Almeida, adianta que "apesar da ligeira quebra em termos do resultado líquido recorrente", os números registados "foram conseguidos num contexto muito desafiante".
Não obstante, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) avançou 5,4%, para 651,1 milhões de euros, sendo que o EBITDA das telecomunicações atingiu 606 milhões, mais 5,5% que no ano anterior. A margem EBITDA deslizou 0,4 pontos percentuais, para 42,8%, em termos homólogos.
As receitas da NOS totalizaram 1 521 milhões de euros, o que reflete um crescimento homólogo de 6,3%. Só o negócio das telecomunicações encaixou 1 469 milhões de euros, mais 4,8% face a 2021, devido ao "aumento do número de serviços [vulgo RGU's] em 4,6% para 10,8 milhões".
No final de 2022, o número de subscritores no negócio móvel superava os 5,733 milhões (mais 7,2% do que no final de 2021), enquanto no negócio da televisão paga, a NOS servia mais de 1,664 milhões de assinantes, o que representa uma melhoria de 1,1% face ao ano anterior.
No negócio fixo, o operador tinha mais de 1,089 milhões de clientes que assinavam serviços convergentes ou integrados a 31 de dezembro de 2022, mais 6,7% face ao período homólogo.
A fibra da NOS chegava a 5,284 milhões de lares no final de 2022, mais 3,7% (188 mil casas) do que no ano anterior.
Na área dos cinemas e audiovisuais, a NOS viu o negócio crescer 3,4%, para 45,1 milhões de euros, com as receitas dos cinemas a totalizarem 89,6 milhões de euros (+33,7% face a 2021). As vendas de bilhetes cresceram 81%, mas ainda ficaram 32% abaixo dos números registados em 2019, o último ano antes do impacto da pandemia no negócio.
O investimento total da NOS excluindo contratos de leasing, licenças de espetro e outros direitos contratuais cresceu 17,4%, para 495,9 milhões de euros, em 2022. A empresa liderada por Miguel Almeida indica que o "este valor representa 32,2% das receitas de telecomunicações, percentagem que excede de forma acentuada o rácio europeu, o qual, em 2021, se situou em 19,4%".
Dos quase 500 milhões de euros de investimento realizado, 473 milhões foram canalizados para o negócio das telecomunicações, com a NOS a investir sobretudo na expansão da fibra ótica e implementação do 5G. No final de 2022, o 5G da NOS chegava a 249 concelhos, cobrindo 87% da população portuguesa.
"Em 2022, a NOS realizou o maior investimento de sempre na sua história, o qual contribuiu para colocar Portugal na liderança europeia do 5G e para melhorar a qualidade do serviço prestado às famílias e empresas portuguesas. Estes resultados confirmam a nossa confiança na estratégia definida para os próximos anos e deixam-nos otimistas quanto à capacidade da NOS em continuar a gerar valor para os seus clientes e para a sociedade", conclui o CEO da NOS, citado em comunicado.
A NOS refere, ainda, que já investiu mais de 2,2 mil milhões de euros no conjunto dos últimos cinco exercícios financeiros.