A Sonae fechou os primeiros nove meses do ano com um crescimento de 10,4% no volume de negócios, que atingiu os 5.493 milhões de euros, e um aumento de 32,6% nos resultados líquidos atribuíveis a acionistas para 210 milhões de euros. Isto apesar dos lucros no terceiro trimestre terem sido 4,2% inferiores ao período homólogo, passando de 96 para 92 milhões. Já as vendas cresceram 15% para 2.045 milhões entre julho e setembro, sustentadas pelos "sólidos ganhos de quota de mercado dos negócios de retalho", diz o grupo.
O EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de 224 milhões de euros no terceiro trimestre, menos 5,4% que no período homólogo, embora no acumulado dos nove meses tenha crescido 3,4% para 544 milhões. A margem EBITDA recuou 2,4 pontos percentuais no terceiro trimestre, para 11%, e 0,7 pontos percentuais entre janeiro e setembro para 9,9%. "Os elevados custos de energia e os preços na produção foram parcialmente suportados pelos negócios de forma a combater a inflação e apoiar as famílias, pressionando a estrutura de custos e conduzindo a uma redução das margens", destaca o grupo em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.
Numa altura em que o Governo promete alargar o futuro impostos sobre lucros extraordinários à distribuição a Sonae destaca a redução de 4,2% no lucro atribuível a acionistas no terceiro trimestre, que explica com os "esforços para suportar parte da inflação e para garantir a competitividade das ofertas", mas também com a mais-valia da venda da Maxmat registada no período homólogo. Já o crescimento de 32,6% dos lucros no acumulado dos nove meses é justificado com o "desempenho positivo" do portefólio, do comparável dos nove meses de 2021 [ainda] afetado pela pandemia e pelo "contributo para o Resultado Indireto da reavaliação dos ativos da Sierra e do portefólio da Bright Pixel". O valor líquido do portefólio da Sonae situava-se nos quatro mil milhões de euros no de setembro, 3% acima do valor do final de junho.
Já o investimento realizado pelo grupo totalizou 579 milhões nos últimos 12 meses, "com a aposta no crescimento orgânico dos negócios a justificar os 326 milhões de capex operacional (mais 10,9%)". Os investimentos relativos à atividade de gstão de portefólio foram de 253 milhões, "o que inclui a aquisição de 10% na Sierra, a participação adicional na NOS e os investimentos da Bright Pixel tanto em novas empresas como no reforço das suas participações". A dívida líquida situou-se em 1.022 milhões de euros e a estrutura de capitais do grupo "manteve-se sólida, com rácios de alavancagem e níveis de liquidez muito confortáveis", com mais de mil milhões de euros de liquidez disponível. O grupo diz-se "totalmente financiado" até ao início de 2024 e com um custo médio de financiamento de cerca de 1%.
Em termos de áreas de negócio, o volume de negócios da MC (dona do Continente) cresceu 16% no terceiro semestre, para 1,6 mil milhões de euros, sendo que o acréscimo acumulado dos primeiros nove meses do ano foram de 10,6%, para 4,3 mil milhões. "O mercado de retalho alimentar português continuou a crescer, em termos homólogos, devido à inflação alimentar extraordinariamente elevada, o que compensou a redução dos volumes totais em consequência do aumento do custo de vida", sublinha o grupo no comunicado.
No retalho de eletrónica, a Worten cresceu 10,6% no terceiro trimestre, atingindo nos 315 milhões de euros. No acumulado do ano, "a evolução positiva dos dois últimos trimestres, mais do que compensou o comparativo desafiante do primeiro trimestre de 2021", o que levou a um aumento de 4,2% da faturação, em termos homólogos, para 836 milhões.
No setor imobiliário, a Sierra registou um "forte desempenho" operacional em todas as áreas de negócio, "em particular no seu portefólio de centros comerciais que apresentou um crescimento de vendas de 25,2%, em termos homólogos, e de 11,9% face ao terceiro trimestre de 2019. Na área de serviços, a empresa diz ter alcançado "marcos importantes" durante 2022, já que "aumentou os seus ativos sob gestão não relacionados com centros comerciais através de veículos de investimento, formalizando novos contratos de gestão de ativos e continuando a expansão da Reify para novos setores e geografias". No terceiro trimestre as receitas da área de serviços cresceram 9,5% em termos homólogos.
Nas telecomunicações, o volume de negócios da NOS cresceu 4,1% no terceiro trimestre, para 381,5 milhões, e 7,5% no acumulado do ano, atingindo 1,1 mil milhões. Nos serviços financeiros, o Universo registou um acréscimo de 13% em termos trimestrais e de 16% entre janeiro e setembro para 824 milhões de euros.
Quanto ao retalho de moda, a Zeitreel registou vendas de 102 milhões de euros em termos trimestrais e de 276 milhões no acumulado do ano, o que corresponde a crescimentos homólogos de 8% e de 20%, respetivamente. "Estes valores estão em linha com os níveis de 2019, tanto em termos trimestrais como acumulados, o que demonstra uma clara recuperação", explica a Sonae.
No retalho de desporto, a ISRG (que detém a marca Sportzone) registou vendas totais trimestrais de 321 milhões, mais 41,5% do que no período homólogo, e de 938 milhões no acumulado de nove meses, um crescimento de 58,9%.
Por fim, a Bright Pixel, o negócio de corporate venture da Sonae, esteve "muito ativo", com um investimento de 20 milhões de euros na expansão do seu portefólio e reforço de participações. "Duas novas empresas no segmento de tecnologias de retalho foram adicionadas ao portefólio e ocorreram rondas de financiamento relevantes em algumas das empresas detidas, incluindo uma ronda de série B de 28,7M$ na Iriusrisk, uma ronda de série A de 7,1M$ na Didimo e uma ronda de série A de 7,7M€ na Probe.ly. A Bright Pixel participou em todas estas rondas, reforçando o seu investimento e melhorando o valor das suas participações", destaca o grupo liderado por Cláudia Azevedo. No final de setembro, o capitla investido no portefólio ativo da Bright Pixel era de 192 milhões, mais 12% em termos trimestrais e mais 14,5% do que no final de 2021.
No comunicado enviado à CMVM, a CEO da Sonae destaca o ambiente geopolítico "complexo e volátil" do terceiro trimestre do ano, bem como os "níveis crescentes" de inflação e de taxas de juro que, a par dos custos energéticos "consistentemente elevados", têm "afetado significativamente as nossas comunidades". E, por isso, apesar de todas as áreas de negócio do grupo terem "aumentado as suas quotas", a rentabilidade "foi naturalmente afetada pelos custos recorde de energia e transporte, pelos preços de abastecimento mais elevados e pelos movimentos de migração [dos consumidores] para produtos de gama e preço inferiores (trading down)".
Cláudia Azevedo deixa uma mensagem de confiança, dizendo-se "motivada" para enfrentar o futuro. "Estou confiante de que, apesar dos desafios macroeconómicos, continuamos a estar bem preparados para reagir rapidamente à alteração das circunstâncias e aproveitar as oportunidades que possam surgir. A Sonae continuará a ser movida pela sua missão, investindo sempre com uma perspetiva de longo prazo e no melhor interesse das nossas pessoas, das nossas comunidades e dos nossos clientes."