O crescimento do negócio é evidente. De 105 milhões de euros de lucro consolidado em 2020 para 307 milhões no ano passado. Feitas as contas o BPI quase que triplicou os seus lucros, fruto, em grande medida, do negócio português - que passou de 84 milhões em 2020 para 200 milhões em 2021 - e da atividade em Angola, com o contributo extraordinário recebido do Banco do Fomento Angola (BFA). Se há dois anos a ajuda tinha sido de 30 milhões de euros, passado um ano ascendeu a 106 milhões.
"Os resultados que saíram acima das nossas estimativas iniciais". A afirmação foi proferida por João Pedro Oliveira e Costa, presidente executivo do BPI, aquando da conferência de imprensa de apresentação de resultados, realizada esta quarta-feira, 2 de fevereiro, em Lisboa. O executivo destacou o apoio dado pelo banco no apoio à economia e às famílias, que se refletiu no aumento da carteira crédito: 9% no caso do crédito à habitação e 4,5% no que concerne ao crédito total a clientes. Feitas as conta a carteira total de crédito a clientes aumentou 7,1%, para 27,529 milhões de euros, o que representou um aumento de 1,834 milhões de euros. estes resultados permitiram que o BPI aumentasse a sua quota de mercado, tendo agora 11% na carteira de crédito total.
Os resultados obtidos configuram ao banco, segundo João Pedro Oliveira e Costa, uma grande solidez económica e financeira. As imparidades de crédito líquidas de recuperações, por exemplo, diminuíram de 151 milhões de euros (em 2020) para 47 milhões no ano passado. Sendo que, para este valor contribuíram 79 milhões de euros em imparidades (que o banco considera ser uma atitude prudente face ao futuro) e ainda recuperações de crédito no valor de 32 milhões de euros, decorrentes da venda de 30 milhões de euros de créditos non-performing e de 266 milhões de euros de crédito abatido ao ativo.
Nos últimos anos o BPI renovou as suas instalações e balcões, mas, também, encerou uns quantos espaços. No ano passado, segundo o seu presidente executivo, o banco fechou 76 espaços comerciais e rescindiu com 144 colaboradores, a maioria dos quais através de reformas antecipadas. Embora não tenha nenhum plano programado de rescisões e encerramento de novos espaços João Pedro Oliveira e Costa referiu que a tecnologia está a remodelar a banca e a requerer menos espaços e pessoas. Algo a que o BPI não será alheio.
O banco não deixou de investir na tecnologia, nomeadamente nos canais digitais, onde, segundo o presidente executivo, houve uma profunda transformação com uma maior oferta quer para particulares, quer para empresas. João Pedro Oliveira e Costa acrescentou que o banco pretende continuar a crescer, principalmente no apoio às empresas, e referiu que o BPI nunca deixou de facultar o seu apoio a programas especializados, nomeadamente a agricultura, o turismo e o comércio internacional. Embora, reconheça, no último ano os dois últimos tenham sofrido algum revés, fruto da pandemia.
O presidente executivo do BPI aproveitou ainda para salientar o apoio dado pelo banco à economia (empresas e cidadãos) portugueses, assim como o seu papel no novo mundo da sustentabilidade e responsabilidade social. E deu como exemplo o caso da Fundação La Caixa que, no ano passado, teve 30 milhões de euros para alocar a projetos de programas sociais, educação e bolsas, cultura e ciência e ainda investigação e saúde. Para este ano João Pedro Oliveira e Costa adiantou que foi aprovado um aumento do orçamento para os 40 milhões de euros.