A Lufthansa tem estado a posicionar-se com vigor e estratégia nos bastidores do processo de privatização da TAP ao longo dos últimos meses. Depois de entregar a sua manifestação de interesses, reuniu com alguns dos representantes dos trabalhadores da TAP para as primeiras apresentações e abertura de canais de comunicação, tal como o Dinheiro Vivo (DV) avançou na altura.O DV apurou que entre as razões principais para o interesse na companhia aérea nacional estão as rotas que a TAP tem para o continente americano, sobretudo para a América Latina. Isto porque a Lufthansa tem uma oferta relativamente sólida para o centro e norte da Europa, bem como para alguns destinos a oriente do Velho Continente, mas tem uma espécie de vazio no que à América do Sul diz respeito. No mesmo sentido, o overlap relativamente reduzido da operação da TAP, em comparação com outras congéneres europeias como é o caso da Iberia, estarão a pesar no sentimento dos responsáveis da Lufthansa, que terão visto com bons olhos as recentes declarações de Miguel Pinto Luz, sobre os prazos de concretização do negócio.O ministro das Infraestruturas adiantou, no início desta semana, que a escolha do novo comprador para 49,9% da TAP deverá estar concluída até ao verão. O prazo para entrega das propostas não vinculativas termina a 2 de abril, após um período de disponibilização de informação detalhada sobre a companhia e a celebração de acordos de confidencialidade. O Dinheiro Vivo sabe que a Lufthansa está pronta para cumprir o calendário que o Governo pretende implementar, e que até verá com bons olhos a celeridade do processo.Os responsáveis da companhia estarão, também, convencidos de que conseguirão fazer da TAP uma empresa competitiva, sem que perca os seus valores e características de uma empresa de bandeira, tal como tem feito com a Swiss Air, a Brussels Airlines ou a ITA.Uma das questões que poderá preocupar os investidores alemães é o facto de o Governo português continuar a deter o controlo da companhia - um modelo que, aliás, o Executivo de Montenegro não aprecia particularmente - pelo menos numa primeira fase. No entanto, o facto é que, desde o ano passado, a Lufthansa é dona de 41% da ITA Airways, a sucessora estatal da Alitalia, e que a operação tem estado a decorrer sem problemas.No mesmo sentido, quando adquiriu a Brussels Airlines, em 2008, a Lufthansa também começou por ficar com uma posição minoritária, tendo depois concluído a aquisição da totalidade da companhia, numa segunda fase. Esta é uma opção que poderá estar em cima da mesa para o caso português, isto se o Executivo avançar com a alienação de 100% da empresa.Do lado das incógnitas sobre o que acontecerá após a alienação da posição minoritária da TAP, a qualquer um dos três interessados - a Lufthansa, a Air France-KLM e a IAG - estão dois assuntos relativamente significativos. Por um lado, de que forma será feito o serviço de handling nos aeroportos nacionais, até agora assegurado pela SPdH (Menzies Portugal). A TAP - acionista minoritária da SPdH, com 49,9% - é trambém uma das maiores credoras da empresa de handling e, por isso, beneficia de um desconto significativo no preço do serviço cobrado. Além disso, várias centenas de trabalhadores da SPdH ainda estão enquadrados em contratos antigos com a TAP. A questão da assistência em escala da TAP ganhou nova relevância, uma vez que, recentemente, o consórcio Clece/South ganhou o concurso de handling para Lisboa, Porto e Faro, derrotando a Menzies. A South pertence ao Grupo IAG, que detém a Iberia e a British Airways, que também está interessado em adquirir a TAP.Por outro lado, existe a questão de saber que fornecedores nacionais vai o novo acionista da TAP manter para a operação regular da companhia. Esta questão foi levantada pelo Governo, quando anunciou a decisão de avançar para a primeira fase da privatização, e alvo de questões por parte dos partidos da oposição no parlamento (vários deles contra a ideia da privatização nos termos em que o executivo pretende fazer).