Luís de Camões. E o resto do país?

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Se queremos ter a ambição de elevar o peso das exportações portuguesas no PIB para, pelo menos, 60% até 2030, aproximando Portugal de países europeus de dimensão semelhante, as infraestruturas de conectividade com o exterior, como os aeroportos, as ligações ferroviárias e marítimas, são fundamentais.

Sempre defendi que a decisão de investir em grandes infraestruturas de conectividade, de médio e longo prazo, exige um compromisso superior a uma legislatura, por forma a não depender dos partidos que governem na altura, evitando passar por avanços e recuos em projetos de natureza estratégica para o país. Temos o exemplo muito claro do investimento no novo aeroporto de Lisboa, cujos estudos, avanços e recuos perduraram ao longo de meio século.

A AEP sempre defendeu a importância dos estudos, designadamente da análise custo/benefício de infraestruturas desta natureza, porque os recursos financeiros não são ilimitados, pelo contrário, são escassos. Os estudos são importantes, mas não podemos ficar eternamente pelos estudos...

Por isso, a AEP - num comunicado conjunto com a ACP - Associação Comercial do Porto - congratulou o Governo português pela decisão de avançar com a construção do novo aeroporto Luís de Camões. Independentemente da escolha técnica, tem de ser uma infraestrutura aeroportuária que sirva os interesse do país como um todo.

A par da decisão do novo aeroporto, é importante que as políticas públicas não esqueçam as reais necessidades de outros aeroportos do país, especialmente aqueles que servem as regiões mais industrializadas, de maior vocação exportadora e geradoras de excedentes comerciais, como é o caso do Aeroporto Francisco Sá Carneiro.

Enquanto não está construído o novo aeroporto, o Governo deve simultaneamente reavaliar os investimentos necessários no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, pelo papel estratégico desta infraestrutura aeroportuária, que se insere e serve o Noroeste Peninsular, e avançar com os investimentos que a AEP e a ACP, por diversas vezes, juntamente com outras entidades, públicas e privadas, nomeadamente no âmbito do Grupo de Trabalho para a Conectividade Aérea da Região Norte, já sinalizaram junto do Governo. 

Não esqueçamos que este tipo de investimento é claramente reprodutivo em termos de potencial de crescimento e desenvolvimento económico do nosso país e, no caso do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, este potencial é muito significativo sem custos avultados.

Luís Miguel Ribeiro, presidente do Conselho de Administração da AEP - Associação Empresarial de Portugal

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