Yannick Correia, lusodescendente, veste a camisola da seleção luxemburguesa de matraquilhos, seguindo e somado títulos mundiais numa atividade que ainda é só lazer.
No sul do Luxemburgo, mais concretamente em Esch-sur-Alzette, o jovem descobriu especialistas em matraquilhos num clube local, apelidado de "escola de matraquilhos". Yannick começou por ver, apenas, e "depois soube que eles eram uns dos melhores jogadores do país", tudo no clube chamado Milky Bar Play.
Ainda sem muita prática, mas já com o 'bichinho', Yannick foi parar à segunda equipa do clube Lusitanos, que é campeão em título no Luxemburgo.
"Depois de ter um bocado de experiência comecei a jogar em torneios no Luxemburgo durante 2-3 anos. Comecei a treinar cada vez mais para tentar começar a jogar no estrangeiro e tentar ser um dos melhores jogadores do mundo", recorda à agência Lusa.
Fora do Grão Ducado, foi somando oponentes de nome que impõem respeito neste meio, como relata o jovem lusodescendente: "comecei jogar contra os melhores jogadores do mundo, como por exemplo, o lendário belga Frederic Collignon".
Jogar contra os melhores fê-lo evoluir e possibilitar dar a receita para se ser um campeão mundial: "é preciso ter força de vontade de treinar, trabalhar, todos os dias e jogar muitos torneios de alto nível mundial".
Fazendo as contas ao que ainda falta ganhar, Yannick manifesta o desejo de "juntar mais três campeonatos do mundo de várias mesas internacionais" num palmarés que indica 11 títulos mundiais, 16 vitórias no campeonato luxemburguês, incluindo pares e individuais.
A lista ainda incluiu quatro títulos de campeão na divisão principal do Luxemburgo em equipas, quatro taças no Luxemburgo, também por clubes, dois primeiros lugares na liga dos campeões europeus, um título coletivo na Bélgica (Hasselt) e um outro em França (Evry).
Como campeão, assume ter "fãs em todas as partes do mundo", até porque, lembra, já enfrentou adversários provenientes de Portugal ou do Irão.
Yannick já nasceu no Luxemburgo, país escolhido pelos seus pais para emigrarem há "40 e tal anos".
Além dos matraquilhos, o dia-a-dia inclui o trabalho numa empresa que instala aquecimentos.
Com o início da atividade profissional, o tempo para treinar encolheu, mas o luso descendente garante conseguir todas as quartas-feiras treinar no clube k.c old-boys merl e às sextas-feiras disputar o campeonato luxemburguês.
"Aos fins de semana vou para ao estrangeiro jogar torneios para o ranking mundial, como por exemplo acontece no ténis, que tem o ATP e WTA", explica à Lusa.
Para si os matraquilhos "são lazer", mas para o futuro deseja mais.
"Pode ser que daqui a alguns anos seja um desporto conhecido pelo mundo fora para poder ser um desporto profissional. Que seja o meu trabalho profissional daqui a alguns anos", assumiu, entre gargalhadas.