Made in Portugal atrai investidores estrangeiros

Lasse Jespersen passou de agente na Dinamarca a empresário em Felgueiras. A portuguesa Lemon Jelly investe em inovação e no digital
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Marcas portuguesas com sonoridades estrangeiras há muitas. Mas uma marca criada em Portugal por um dinamarquês ainda é motivo de surpresa. Lasse Logstrup Jespersen vive em Copenhaga e foi, durante muitos anos, agente local de empresas portuguesas. Agora decidiu que era o momento de avançar com um negócio próprio. E, assim, nasceu a Last Studio, simultaneamente marca de calçado de homem e senhora e empresa comercial com sede em Felgueiras, que se apresentou, pela primeira vez, na Micam, a feira de calçado que decorreu esta semana em Milão.

“Trabalho com Portugal há mais de 15 anos. O país tem uma excelente qualidade e um grande conhecimento dos mercados europeus, bem como trabalhadores altamente qualificados e um preço muito competitivo”, explicou o empresário ao Dinheiro Vivo. A produção é subcontratada em Felgueiras e Santa Maria da Feira.

Criada em setembro, a marca vende já para a Escandinávia, mas Lasse Logstrup Jespersen pretende alargar na Europa, bem como reforçar a posição em mercados como Japão, EUA e Canadá, onde já tem alguns clientes. “Queremos cimentar os valores da empresa, somos trabalhadores, leais e honestos, estando disponíveis não apenas para servir os nossos clientes, mas para sermos uma plataforma para as fábricas portuguesas venderem os seus produtos”, frisa.

Lemon Jelly

A festejar cinco anos está a Lemon Jelly, da Procalçado, de Vila Nova de Gaia, que, em 2017, cresceu a dois dígitos. “É fruto da estratégia de consolidação em países europeus, que se estão a tornar líderes nesta área, e alguma expansão na América do Norte e na Ásia”, explica o administrador José Pinto.

Com uma faturação superior a 25 milhões, o grupo Procalçado dá emprego a 400 pessoas. Inovação e digital são as áreas de grande aposta: cerca de 100 mil euros foram aplicados numa nova plataforma de vendas online, para aumentar a exposição internacional da marca e contornar as dificuldades do retalho multimarca, a que acresce mais um milhão de euros na área de desenvolvimento de novos produtos e materiais.

Em crescimento, a Procalçado precisa de reforçar os seus quadros, mas a contratação está difícil. “Não é, sequer, uma questão salarial. É uma mudança de mentalidades. Os jovens querem trabalhar em projetos com que se identifiquem e em empresas que os inspirem. Precisamos de aprender a ouvi-los e até a mudar o layout das empresas, porque hoje o modelo é a Google, a Apple e a Farfetch”, diz José Pinto. “Não vale a pena queixarmo-nos. As empresas é que têm de mudar”.

*A jornalista viajou a Milão a convite da APICCAPS

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