Depois da Índia é a vez de a Venezuela desmonetizar a economia para combater a crise. O presidente Nicolas Maduro deu 72 horas à população para trocar as notas 100 bolívares, as de valor mais elevado em circulação, por moedas com o mesmo valor.
O objetivo, segundo o presidente venezuelano, é desmobilizar as "máfias especuladoras" que estarão a armazenar grandes quantidades de notas e a retirá-las do país para prejudicar a economia. As notas de cem bolívares representam cerca de metade do dinheiro em circulação na Venezuela, mas valem atualmente cerca de 0,09 cêntimos.
Segundo Maduro, a medida de emergência económica vai impedir que os grupos que operam nas fronteiras consigam trocar o dinheiro a tempo.
No seu programa de televisão semanal "En contacto con Maduro", o presidente denunciou o "golpe financeiro" que está em curso nas fronteiras e acusou uma empresa ligada ao Tesouro dos Estados Unidos de estar a coordenar a operação.
No início da semana Nicolás Maduro tinha anunciado a intenção de adotar medidas económicas para travar a valorização do dólar no mercado negro. A decisão do presidente acabou por apanhar o país de surpresa e gerou uma corrida aos bancos.
A Venezuela está mergulhada numa profunda crise económica e regista uma inflação recorde, que deve atingir os 720% este ano, segundo as previsões do FMI.
Só no mês passado o bolívar desvalorizou 59%, o que aniquilou o poder de compra dos venezuelanos, face ao aumento diário dos preços.
No próximo dia 15 deverá entrar em circulação um novo conjunto de notas emitidas pelo Banco Central da Venezuela, sendo que a de menor valor será de 500 bolívares (0,047 euros) e a maior valerá 20 mil bolívares (1,89 euros).