A marca espanhola Mango terminou o ano de 2021 com resultados líquidos de 67 milhões de euros, triplicando assim os 21 milhões de euros obtidos no ano de 2019, informou a marca esta quinta-feira, em comunicado.
Segundo o documento, a empresa fechou 2021 "com lucros em máximos de quase uma década e com uma estrutura financeira totalmente estabilizada"
A faturação da Mango atingiu no ano passado 2.234 milhões de euros, que significa uma subida de 21,3% mais relativamente aos 1842 milhões de 2020. Este valor aproxima-se do obtido em em 2019, quando a empresa conseguiu 2.374 milhões de euros no fecho do ano, que apelida de "recorde absoluto".
"Muito acima das previsões iniciais" ficou o EBITDA da Mango, que no ano passado foi de 423 milhões de euros, muito acima das previsões iniciais. DE acordo com a marca "este número representou mais que duplicar o registo de 2020, quando o EBITDA se situou em 193 milhões de euros. Trata-se do número mais alto registado pela empresa desde o ano de 2014, incluindo descontado o efeito das NIIF-16".
O resultado antes de impostos da Empresa atingiu os 82 milhões de euros, corrigindo a evolução de 2020 e duplicando o valor de 41 milhões de euros anotado em 2019, antes da pandemia.
A margem bruta alcançou 58,2%, aumentando assim em 0,6 pontos básicos relativamente a 2019. A Mango justifica esta subida com o "maior peso das vendas a preço completo e por uma redução dos descontos, no momento em que se viu condicionada pelo efeito que teve sobre a demonstração de resultados, o aumento dos custos de importação e o transporte", frisando ainda que "o impacto da crise mundial da cadeia de fornecimento concentrou-se na reta final do ano".
Um dos objetivos estabelecidos em 2015 pela empresa espanhola era o de reduzir a dívida líquida para zero e segundo a Mango esse objetivo foi alcançado. Uma situação que não acontecia no balanço da marca "há mais de uma década". "A empresa fechou 2021 com uma dívida negativa em oito milhões de euros, após ter cumprido o seu objetivo de conseguir reduzir em mais de 165 milhões a sua dívida face a 2020", ressalva.
Em dezembro a Mango devolveu ao Instituto de Crédito Oficial (ICO) 120 milhões da linha de crédito solicitada no início da pandemia. Este valor representa 50% dos 240 milhões que foram solicitados na primavera de 2020. Ainda que a empresa nunca tenha necessitado de utilizar estes recursos, por prudência mantém uma parte dos mesmos no seu balanço.
Nas vendas online a marca cresceu 23%, ao atingir 942 milhões de euros. O peso das vendas pela internet manteve-se em 42%. A Mango está a funcionar em 85 mercados com atividade digital, sendo a Tailândia um dos países onde implementou a sua ação, em 2021.
Apesar das lojas físicas terem estado fechadas uma média de 48 dias em 2021, também "registaram um bom desempenho", elogia a empresa. Nesta parte da operação as vendas melhoraram em 21,4% relativamente ao ano de 2020. Para Toni Ruiz, o CEO isto significa que "apesar de a Mango contar com uma alta imersão do canal online no seu negócio, demonstrou-se a importância e poder da nossa rede de lojas".
Na distribuição da faturação total por áreas geográficas, a atividade internacional do grupo alcançou 79% do total e o mercado espanhol representou 21%. No fecho de 2021, a Mango estava presente em mais de 110 mercados de todo o mundo.
Para Toni Ruiz "os resultados de 2021 demonstram a boa evolução da empresa durante os últimos anos e são fruto do trabalho de toda a equipa. A Mango tem hoje uma posição ótima para enfrentar o futuro valorizando a nossa marca e o nosso produto, sempre ao serviço do nosso cliente e caminhando para a sustentabilidade e a excelência operacional".
Investimentos e lojas
Na área dos investimentos, a Mango cresceu 63,6%, relativamente a 2020, com 45 milhões de euros. De acordo com a marca "a maior parte destes recursos destinaram-se, por um lado, a acelerar o processo de digitalização da empresa e, por outro lado, à remodelação do parque de lojas para adaptá-las a uma nova imagem, destacando a reforma da flagship de Paseo de Gracia (Barcelona)".
A Mango finalizou 2021 com 2447 lojas físicas, em mais de 110 mercados. No último ano, a empresa realizou 226 aberturas líquidas. A superfície total de vendas das lojas físicas manteve-se estável em 749,700 metros quadrados. Algumas das aberturas mais relevantes do ano de 2021 foram as flagships de Londres (Oxford Street), Düsseldorf ou Berlim.
A empresa conseguiu, ainda em 2021, reforçar a sua presença nos Estado Unidos da América (EUA) com a abertura de quatro novas lojas nos centros comerciais Menlo Park e American Dream, em Nova Jersey, e no centro comercial Roosevelt Field de Nova Iorque e no centro comercial Dadeland de Miami. A Mango frisa que, também nos EUA, desenvolveu fortemente a sua presença online.
A Mango encontra-se atualmente a analisar o impacto que a crise da Ucrânia e Rússia terá no seu negócio de 2022. A empresa suspendeu temporariamente as suas operações na Rússia, garantindo a máxima cobertura aos seus funcionários.
Compromisso sustentável
A marca espanhola refere ainda que, em 2021, "realizou grandes esforços relativamente à sustentabilidade e responsabilidade social e continuou a avançar com o seu plano estratégico numa questão fulcral para a empresa", onde investiu especialmente em quatro capítulos: o uso de fibras sustentáveis, a circularidade, as emissões de CO2 e a transparência na cadeia de fornecimento.
Assim a Mango publicou uma nova lista de fábricas de produção da sua cadeia de fornecimento global e garante que 80% das peças comercializadas o ano passado "já incorporavam a denominação Commited" (o que significa que contêm um mínimo de 30% de fibras mais sustentáveis e/ou foram fabricadas com processos de produção mais sustentáveis).
O objetivo da empresa para 2022 é que 100% dos seus artigos faça parte de Committed.
No capítulo da economia circular, em 2021 a Mango centrou-se em implementar ações para reduzir a criação de resíduos associados à sua produção e geri-los de forma responsável. Neste sentido, o programa de recolha em loja de peças usadas Commited Box já estava presente em 15 países, mais cinco que no ano anterior, e recolheu 63 toneladas de roupa, 50% mais que em 2020.
A empresa comprometeu-se, também, a reduzir em 80% as suas emissões diretas, assim como as geradas pela energia que consome de alcance 1 e 2 para 2030, alinhada com o objetivo net zero para 2050.