O presidente francês, François Hollande anunciou, em comunicado ao país, o até agora ministro do
Interior, Manuel Valls, para o cargo de primeiro-ministro, em
substituição de Jean-Marc Ayrault, que pediu a demissão depois da
derrota dos socialistas nas eleições municipais de domingo.
O chefe de Estado classificou o novo executivo como um "Governo de combate", depois de ter assumido uma derrota "pessoal" nas autárquicas. "Confiei a Manuel Valls a missão de liderar o governo de França", declarou Hollande, acrescentando que entendeu a mensagem "clara" dos franceses e prometendo uma equipa reduzida e uma redução de impostos até 2017.
Manuel Valls, de 51 anos, nasceu em Barcelona, mas naturalizou-se francês aos 20 anos. Entre 1988 e 1991 foi conselheiro para a juventude do então primeiro-ministro, Michel Rocard, assumindo depois, entre 1997 e 2001, uma posição nas Comunicações, no governo de Lionel Jospin. Deputado e mayor de Évry desde 2002, foi nomeado ministro em maio de 2012.
Pertencendo à ala mais liberal do partido socialista francês - é frequentemente comparado a Tony Blair -, é um dos políticos mais populares de França e numa sondagem recente, um terço dos franceses referiu mesmo que gostaria de vê-lo como primeiro-ministro. Mas o seu posicionamento mais à direita não agrada aos Verdes, que já ameaçaram sair do governo. O ministro do Desenvolvimento, Pascal Canfin, e a ministra da
Habitação, Cécile Duflot, anunciaram num comunicado conjunto que
não concordam com "as ideias do novo primeiro-ministro",
considerando que "não constituem a resposta adequada aos
problemas dos franceses".
O chefe de Estado francês substitui o governo de Jean-Marc Ayrault na sequência dos
maus resultados do Partido Socialista francês nas eleições
municipais de domingo, em que tanto a Frente Nacional (extrema-direita) como a oposição de
direita conquistaram vitórias históricas, enquanto os socialistas perderam 150
autarquias.
A Frente Nacional, de Marine Le Pen, com um discurso
anti-imigração, conquistou 11 câmaras e mais de 1200 lugares nos
executivos municipais.A UMP do ex-presidente Nicolas Sarkozy, derrotado por Hollande nas
presidenciais de 2012, ganhou autarquias que historicamente votavam
nos socialistas, indiciando uma possível reconquista do poder em
2017, se a tendência se mantiver. "É um resultado histórico", afirmou o seu líder,
Jean-François Cope, comentando as 155 autarquias com mais de 9 mil habitantes que a UMP conquistou à esquerda.(Notícia atualizada às 19:25)