Portugal ultrapassou com sucesso a primeira de quatro batalhas contra o novo coronavírus. A mensagem foi deixada esta quinta-feira pelo Presidente da República em declaração ao país. No discurso de renovação do estado de emergência, Marcelo Rebelo de Sousa salientou que os portugueses têm de continuar a fazer um esforço para limitar o contágio por Covid-19. Deixou ainda um caderno de encargos para o mês de abril e antecipou que Portugal possa vir a ter entre 20 mil a 30 mil infetados nas próximas semanas.
"Uma vez mais, estivemos unidos e solidários. Os portugueses têm estado na coragem serena de enfrentar a pandemia. Este vai ser o nosso maior desafio dos últimos 45 anos", salientou o chefe de Estado antes de chamar a atenção que os efeitos da Covid-19 "serão mais profundos e duradouros do que todas as crises que já vivemos".
O discurso também serviu para Marcelo Rebelo de Sousa destacar as áreas de atividade que não pararam por causa do novo coronavírus. Dos profissionais de saúde que "continuam a fazer milagres", às instituições de solidariedade social, Marcelo destacou as empresas "que alteraram os planos de produção", os cientistas, professores, agricultores, operários, camionistas, hoteleiros, comerciantes e autarcas.
Seguiu-se a apresentação do calendário da guerra contra o novo coronavírus em Portugal para os próximos meses. A fase um foi concluída com sucesso: "Para já, ganhámos a batalha da primeira fase. Adiámos o pico e moderámos o crescimento da infeção", salientou Marcelo depois de a taxa de crescimento nos últimos dias ter descido para patamares entre 15% e 20% e, desta forma, ter sido evitada a rutura do sistema de saúde.
"Ganhámos tempo com medidas restritivas, graças à adesão voluntária dos portugueses", assinalou. Segue-se a segunda fase, no "mês crucial" de abril e que inclui o período da Páscoa - onde os portugueses vão ficar confinados ao concelho de residência.
A fase três chegará "mais cedo ou mais tarde. Inverteremos tendência de crescimento de casos, abrindo caminho para a descompressão possível". Na última fase, será preciso "controlar o surto, mesmo assistindo ao final dos custos humanos da pandemia.
Nos próximos 15 dias, o renovado estado de emergência implica um "caderno de encargos" aos portugueses e que terá de cumprir cinco objetivos fundamentais, entende Marcelo Rebelo de Sousa.
Desde logo, proteger os grupos de risco, como os idosos ou pessoas com doenças crónicas. Logo a seguir, o Presidente da República pediu "bom senso" na libertação de presos e lembrou que vai exercer o poder de indulto, ao abrigo da Constituição, aprovada no Parlamento há precisamente 44 anos.
Marcelo também chamou a atenção para aqueles que estiverem tentados a fazer viagens em tempo de Páscoa: "por muitas razões que haja – e há – para cansaço, ansiedade, lassidão, nesta Páscoa, não troquemos uns anos na vida e na saúde de todos, por uns dias de férias ou reencontro familiar alargado de alguns".
A seguir, a mensagem para os portugueses que estão no estrangeiro: pedir aos nossos compatriotas, que, de fora, quiserem vir, que entendam as restrições severas que cá dentro adotaremos para a Páscoa e repensem, adiando os seus planos, como todos nós estamos a adiar os nossos planos, a pensar na Pátria comum".
No último objetivo, Marcelo lembrou que a definição do calendário da escola, "atendendo à evolução da pandemia em abril", será comunicado na próxima quinta-feira, 9 de abril, pelo primeiro-ministro.
A partir da meia-noite de sexta, dia 3, Portugal entrará no segundo período do estado de emergência, que vai vigorar até às 24 horas de 18 de abril.
Até lá, Marcelo pede para os portugueses ficaram atentos à evolução da taxa de crescimento de infetados e não do número total de contaminados: "Vai custar a ver os números de infetados atingir as duas ou três dezenas de milhares até ao dia 17? Vai. Mas o que importa é sabermos que o número de testes está a aumentar – e bem – e que isso significa detetar mais infetados, que a maioria deles não é grave, e, sobretudo, que o que vai fazer a diferença é a percentagem de crescimento diário."
(Notícia atualizada pela última vez às 20h50)