O tema em debate foi o Social do ESG - Ambiente, Social e Governança, traduzindo para português a sigla dos três critérios de avaliação de empresas hoje tão em voga -, o local foi na sede do Banco Santander, junto à Mesquita, em Lisboa, e o momento foi na manhã de quarta-feira, 31 de maio. Aí se discutiram Os 5 desafios do Social no ESG; A melhor versão "S" das empresas; e, com um painel de oradores-peritos, deu-se a Partilha de Boas-Práticas e Desafios. No final, Margarida Couto, presidente do movimento cívico Grace - Empresas Responsáveis, parceiro na organização do evento, garantia ao Dinheiro Vivo haver duas vertentes já interiorizadas, apesar das dificuldades: "Primeiro, que empresas mais diversas são empresas mais resilientes, mais lucrativas, ou seja, são melhores empresas. Mas também acho que já realizaram que, se não forem diversas e inclusivas, serão menos toleradas, digamos assim, que não terão a tal licença social para operar."
Conjuntamente organizado também pela Fundação Santander e a Women in ESG, o evento teve mais de 300 inscrições e acima de 200 pessoas em sala, o que, para Margarida Couto, significa que "este tema está muito mais na agenda do que às vezes" se pensa. Por isso a responsável faz um balanço positivo da iniciativa.
"A Conferência do Falar sobre o S com o Santander, do meu ponto de vista, foi um grande sucesso. Primeiro, porque é importante falar do S. Fala-se muito mais do E do que do S e só por isso já seria relevante." Na sua apreciação, os painéis de convidados "foram muito ricos, muito bons" e "puseram o dedo na ferida". Algo que Margarida Couto considera ser mesmo necessário que assim seja, porque os temas têm de ser discutidos com transparência, já que só desta forma é que vale a pena, garante.
"Por outro lado, como estavam muitas empresas, permitiu aquilo que eu acho que é o que mais enriquece a mudança, que é a partilha de práticas entre as empresas. Ou seja, quando uma empresa percebe que a outra conseguiu, sente-se muito mais motivada a tentar também e, portanto, esta partilha de boas-práticas entre empresas que têm feito um caminho muito consistente e muito bem conseguido no S, eu acho, ou espero, que tenha inspirado a plateia a fazer mais e melhor nesta peça central da sustentabilidade que é o S no ESG."
Recorde-se que entre os participantes estiveram, além do painel do debate da foto, Patrícia Antunes, da Accenture, Natália Rebelo, do Ikea, Paula Lobinho, do El Corte Inglés, ou Eduardo Moura, da EDP. A estes coube precisamente debater a partilha de boas-práticas entre empresas. Além disso, o evento foi inaugurado por Pedro Castro Almeida, CEO do Banco Santander, e Inês Oom de Sousa, presidente da Fundação Santander, também marcou presença.
Embora goste mais de falar dos aspetos positivos do que das dificuldades, Margarida Couto foi à Conferência falar dos 5 desafios do Social no ESG. "Os desafios são muitos. Como em todas as temáticas da sustentabilidade, há muitos desafios, mas por trás de cada desafio esconde-se uma oportunidade", explica Margarida Couto. "O que é importante é as empresas perceberem que não é apenas dificuldades e desafios", concluiu.
A especialista explicou que é natural que o S, a vertente social, pareça sempre um pouco mais complicado às empresas para investirem, "porque não tem tantas métricas" mensuráveis. Investir no fator ambiente é muito mais fácil, porque há métricas como as emissões, por exemplo, é muito simples medir o progresso no E do que no S.
Talvez por isso, e com base na sua experiência, Margarida Couto diz que "as empresas estão a sentir muita dificuldade ainda em lidar com este novo paradigma" do ESG. "Tudo isto ainda é bastante novo. Na Europa, obviamente, há países cujas empresas são mais sofisticadas, já avançaram mais nesta matéria. Portanto, eu noto em Portugal alguma dificuldade, sobretudo por parte das PME, que se debatem sempre com mais escassez de recursos em lidar com estes temas."
E como o E, isto é, o ambiente, "é considerado uma emergência, as empresas tendem a focar mais os poucos recursos que têm nos temas ambientais e, se calhar, a descurar um bocadinho as outras duas letras muito importantes deste novo paradigma de sustentabilidade. Mas é verdade que - e a conferência Falar sobre o S com o Santander provou isso - quando os temas se põem em cima da mesa, as empresas acorrem", afirmou a presidente do Grace.
Para Margarida Couto as três dimensões da sustentabilidade ínsitas no ESG "não são silos". "Elas estão todas interligadas e, portanto, se não forem trabalhadas em conjunto, também não vão produzir os efeitos que as que as empresas esperam." É por isso que é "é muito importante discutir muitas, muitas, vezes estas temáticas e, estes momentos de partilha - como a conferência do no Santander - eu considero que fazem muita diferença para o ecossistema empresarial português", concluiu.