A nova líder do BE, Mariana Mortágua, assumiu hoje o combate à maioria absoluta do PS que classificou como "um tormento" e "causa de embaraço nacional" e avisou que quem "abafar este pântano" não defende a democracia.
"E já todos sabemos - os eleitores do PS melhor do que ninguém - como em pouco mais de um ano se tornou evidente que a maioria absoluta é um tormento de degradação e instabilidade e uma causa de embaraço nacional", declarou Mariana Mortágua, perante os delegados à XIII Convenção.
Entre constantes aplausos, no seu primeiro discurso como coordenadora do BE, Mariana Mortágua estabeleceu as balizas da intervenção do partido nos próximos dois anos para "impedir que continue este caminho de degradação".
"Quem abafar, menorizar ou desvalorizar o pântano criado pela maioria absoluta não está a defender a democracia, mas sim a desresponsabilizar os causadores da fragilização da democracia", disse.
Mariana Mortágua criticou o Governo de António Costa que, considerou, incorre "no vício" de "festejar trunfos que são um tormento".
"Não há pior vício neste governo do que festejar triunfos que são um tormento para as pessoas. Os salários e as pensões ficam mais pequenos mas o Governo pede-vos que agradeçam o excedente orçamental", criticou.
Para "resgatar o país deste jogo vicioso", a nova líder bloquista só vê um caminho: "é preciso uma esquerda frontal".
"Quero dizê-lo com muita clareza. A esquerda que desistir de ser exigente para aceitar a chantagem do medo não serve o país. Não somos biombos de sala, não somos cravos de lapela", avisou.
Na análise de Mariana Mortágua, a esquerda precisa de "força suficiente" para uma política de habitação que "garanta casas", para "multiplicar as capacidades dos serviços públicos com carreiras mobilizadoras", mas também para "acabar com os truques nos impostos" e "garantir contratos de trabalho, salários e pensões decentes", dedicando ainda "os recursos necessários à transição energética".
"Sabemos que a nossa força vem das escolhas que fazemos. Em tempos tóxicos, para impedir uma rampa deslizante para a direita e para a extrema-direita, o Bloco escolhe levar o país a sério", prometeu.
A bloquista voltou neste discurso de consagração aos avisos sobre os perigos sobre a "política do medo" porque, avisou, "mais tarde ou mais cedo, onde reina o medo, o pior acontece mesmo".
"As sementes do ódio estão aí, há na direita uma ânsia de vingança contra os trabalhadores, de desprezo pelos pobres, de regressão nos direitos conquistados. A direita, que bebe do ressentimento e da angústia de problemas reais, é a primeira a querer impor medidas contra o povo, a apoiar a especulação imobiliária, os interesses da banca e a venda ao desbarato dos recursos do nosso país que são nossos. Nós combateremos essa direita, impediremos que tenha maioria para impor o seu programa ao país, a Portugal", enfatizou.
Nesta altura da intervenção, Mariana Mortágua falou "bem alto" para a direita: "Portugal não será o país onde espancam imigrantes nas fronteiras e em que se multiplicam Odemiras. Portugal não será um país sem serviços públicos de saúde e educação, como propôs o Chega".