O mecanismo ibérico que limita o preço do gás natural na produção de energia elétrica permitiu uma poupança de 54,5 euros por megawatt/hora (MWh), entre 15 de junho e 31 de agosto. Este valor corresponde a uma diminuição de 16,5 % no preço horário médio de aquisição de eletricidade no Mercado Ibérico de Electricidade (MIBEL), revela esta segunda-feira o Boletim Eletricidade Renovável da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN).
"A poupança devido ao limite do preço do gás natural, correspondente à diferença entre o preço sem o mecanismo e o preço com a compensação a pagar às centrais a gás natural, atingiu um valor máximo de 134,7 euros/MWhc, e um mínimo de 5,62 euros/MWhc . No total, 34,6 dos 67,8 TWh [terawatt/hora] produzidos foram sujeitos ao mecanismo de ajuste dos consumidores na Península Ibérica", lê-se no documento da APREN relativo ao mês de agosto.
De acordo com a APREN, em agosto, registou -se um preço mínimo horário no MIBEL de 25,09 euros/MWh c, para uma hora cujo fecho de mercado ocorreu por geração térmica ciclo combinado, em Portugal. Por outro lado, o preço máximo horário registado cifrou-se nos 253,07 euros/MWh c, "onde o mercado fechou com hídrica, devido à inversão do fluxo de importação para exportação nesse período horário.
Comparativamente com os preços verificados no resto da Europa, o organismo liderado por Pedro Jorge Amaral constata que, em agosto, "os valores médios aumentaram face aos do mês anterior, assim como os preços mínimos e máximos".
No caso de Portugal, "entre 1 de janeiro e 31 de agosto, o preço médio horário registado no MIBEL em Portugal (192 euros/MWhc) representa um aumento superior ao triplo face ao período homólogo do ano passado".
"No mesmo período foram registadas 57 horas não consecutivas em que a geração renovável foi suficiente para suprir o consumo de eletricidade de Portugal Continental, com um preço horário médio no MIBEL de 151,5 euros/MWh, sendo que de 1 a 31 de agosto, a geração renovável não foi suficiente para suprir o consumo durante uma hora consecutiva", lê-se ainda.
O mesmo boletim revela ainda que, em Portugal, foram gerados 27 822 GWh (gigawatt/hora) de eletricidade, nos primeiros oito meses do ano, sendo que mais de metade (54,6%) da eletricidade gerada proveio de fontes renováveis.
Só entre os dias 1 e 31 de agosto de 2022, "a incorporação renovável foi de 46,8%, no total de 3 169 GWh produzidos". Este valor, contudo, representa uma diminuição de 10,4% no total de energia gerada e uma quebra 8,8% na incorporação de renováveis, face a igual período de há um ano. Tal deve-se "maioritariamente à diminuição do índice de hidraulicidade, que resultou num decréscimo acentuado da produção hídrica".
"A salientar ainda que a produção hídrica e a percentagem máxima de armazenamento nas barragens atingiram valores mínimos face ao período homólogo nos últimos 10 anos, o que contribuiu para um aumento da produção por fontes fósseis", lê-se no boletim da APREN.
Não obstante, em agosto, na hora de comercializar energia, "a tecnologia de fecho do mercado que registou maior número de horas foi a hídrica com 2 093 horas não consecutivas, seguida das renováveis, cogeração e resíduos com 1 323 horas e da geração térmica ciclo combinado com 1 471 horas".
Outro dado relevante no boletim é que Portugal manteve-se como "quarto país com maior incorporação renovável na geração de eletricidade, ficando atrás da Noruega, Áustria e Dinamarca, que obtiveram 99,3%, 80,5% e 77,2%, respetivamente", entre janeiro e agosto.