Médicos poderão vir a ser acionistas da Lusíadas Saúde

Grupo foi adquirido pela francesa Vivalto Santé no final do ano passado. Modelo de gestão ainda não está fechado, mas a intenção é que os médicos façam parte da administração.
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O Grupo Lusíadas Saúde passou, no final de 2022, para as mãos do grupo francês Vivalto Santé depois da aquisição à Amil International, uma subsidiária da UnitedHealth Group. Agora, com o processo concluído, os CEOs dos dois grupos quiseram explicar como vai funcionar a gestão dos Lusíadas e as novidades que vão existir.

Os valores do negócio não foram avançados, mas o diretor-geral da Vivalto Santé garantiu que os números que foram dados como certos na altura em que a transação estava a ser efetuada estão muito longe da realidade, pecando por excesso. Emmanuel De Geuser disse até que para as aquisições que a Vialto Santé levou a cabo em Portugal, Espanha e França, o valor terá rondado dos 260 milhões de euros.

Para os espaços de saúde do grupo Lusíadas, Emmanuel De Geuser explicou que a intenção é implementar um modelo de gestão em que os médicos possam ter voz ativa as tomadas de decisão ao tornarem-se, eles mesmos acionistas do grupo. "No grupo Vivalto Santé, 30% do capital é controlado por médicos". São mil médicos a ter voz ativa dentro do grupo, que comparecem em reuniões e que em conjunto com a administração levam os seus espaços a bom porto.

O que se torna num fator diferenciador, uma vez que "todos são parte da monitorização" ao discutir os problemas dos hospitais enquanto espaços de prestação de cuidados de saúde, ao mesmo tempo que discutem os investimentos, diz Emmanuel De Geuser.

O responsável francês garantiu que a intenção do grupo que lidera não é impor-se nos Lusíadas, mas perceber se será viável importar este modelo de gestão.

Para Vasco Antunes Pereira, presidente do Conselho de Administração da Lusíadas Saúde, esta forma de gestão será uma mais-valia, que para já ainda está em estudo, até porque é preciso analisar as limitações legais que possa existir em Portugal. No entanto, a "intenção é ter alguns médicos entre os stakeholders" (partes interessadas), de forma a mudar a gestão dos hospitais que até agora é feita por gestores. O que também seria uma forma de reter os talentos médicos que trabalham no grupo Lusíadas.

Da parte do corpo médico dos Lusíadas espera-se que a reação à possibilidade deste novo modelo seja boa, segundo Maria Eduarda Reis, a presidente do Conselho Médico da Lusíadas Saúde. Embora a implementação ainda não esteja definida, Maria Eduarda Reis frisa que esta é uma maneira diferente de gerir a saúde e lembra que os grandes grupos em Portugal não têm esta forma de gestão.

Para este ano, Vasco Antunes Pereira disse que o grupo Lusíadas vai investir 32 milhões de euros, de forma a dar resposta ao crescente aumento de custos. E detalhou que só em energia a Lusíadas Saúde viu os seus custos duplicar de quatro para oito milhões de euros.

Já os preços praticados também vão aumentar, acompanhando a inflação, da mesma forma que existirá uma revisão salarial.

O responsável frisou que toda a operação está muito mais cara, desde o transporte, a alimentação e os serviços de limpeza. É uma "cadeia de valor é muitíssimo pesada", afirmou.

No que à operação do grupo em 2022 diz respeito, Vasco Antunes Pereira revelou que os resultados operacionais do grupo foram de 386,9 milhões de euros, contra os 346,9 milhões de euros de 2021. Já o volume de vendas foram de 380 milhões de euros. Em 2021 tinha sido de 342 milhões de euros.

O EBITDA (resultados antes de impostos, juros e amortizações) foi de 37 milhões de euros, quando em 2021 foi de 19 milhões de euros.

Emmanuel De Geuser, explicou que o grupo que representa tem um volume de negócios de cerca de 2,2 mil milhões de euros e que é composto por uma rede de 91 unidades de saúde em França, Suíça, Portugal, Espanha, Eslováquia e República Checa. Ao todo, a empresa francesa emprega cerca de mais de seis mil médicos e detém 75 clínicas e hospitais.

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