Medidas de apoio aos jovens são “positivas, embora de duvidosa eficácia”

Mediadora não vê sinais para uma retoma efetiva do mercado em 2024. Projeções apontam para a concretização de 34 mil transações no primeiro trimestre. Volume de negócios da IAD cresceu 4,4%
Para Alfredo Valente, CEO da IAD Portugal, 2023 foi um dos anos “mais desafiantes para o setor imobiliário”. FOTO: Igor Martins/Global Imagens
Para Alfredo Valente, CEO da IAD Portugal, 2023 foi um dos anos “mais desafiantes para o setor imobiliário”. FOTO: Igor Martins/Global ImagensPara Alfredo Valente, CEO da IAD Portugal, 2023 foi um dos anos “mais desafiantes para o setor imobiliário”. FOTO: Igor Martins/Global Imagens
Publicado a

A IAD Portugal, marca imobiliária de origem francesa, está cética quanto ao sucesso das medidas do Governo para apoiar os jovens até aos 35 anos na aquisição da primeira habitação. E a razão é só uma: o preço das casas no país. Como afirma ao Dinheiro Vivo Alfredo Valente, CEO da mediadora que, desde a sua estreia no mercado português, em 2015, apostou num modelo de negócio digital, as propostas são “positivas, embora de duvidosa eficácia, dado o preço das habitações em Portugal e, consequentemente, o que isso vai representar em termos de esforço de pagamento da prestação bancária”.

No primeiro trimestre deste ano, a marca, cuja acrónimo significa Imobiliária ao Domicílio, registou um crescimento de 14% no preço médio do imóvel vendido, cifrando-se em 208 mil euros. A trajetória ascendente do custo da habitação parece não ter travão. No entanto, e apesar de uma conjuntura económica ainda desafiadora, regista-se já uma ligeira recuperação nas transações imobiliárias. Nestes primeiros três meses do ano, o volume de negócios da IAD Portugal cresceu 4,4%, acompanhando a tendência observada no setor.

Os dados oficiais sobre o comportamento do mercado habitacional português nos três primeiros meses de 2024 ainda não são conhecidos, mas as estimativas da IAD apontam para a concretização de mais de 34 mil transações. Segundo Alfredo Valente, no primeiro trimestre, todas as regiões do país apresentaram um crescimento no número de contratos fechados, excetuando o Algarve e o Porto.

Nesse período, o valor médio dos imóveis sofreu um ligeiro crescimento de 0,7%, mas verificaram-se “fortes correções em Lisboa e no Porto”, avança. Na capital, são precisos “menos 8% de investimento para adquirir um imóvel”, com o preço médio a fixar-se nos 303 764 euros neste primeiro trimestre. A queda no Porto foi de 3,5%, cifrando-se agora o valor médio do imóvel vendido nos 236 491 euros.

Sem expectativas de uma verdadeira retoma do mercado, Alfredo Valente prevê um crescimento de cerca de 3,2% no volume de negócios da IAD Portugal no atual exercício, com o número de imóveis vendidos a subir 3,3% e o valor médio de transações a aumentar 3,6%. “Estimamos continuar a ganhar quota de mercado, fundamentalmente através do aumento da produtividade da nossa rede de consultores imobiliários independentes, e não com expectativas de que o mercado vá mudar substancialmente”, diz.

Reforço de quota 

Em 2023, a IAD Portugal reforçou a sua quota de mercado, com um crescimento de 1,26% (posição em 2022) para 1,40%, alavancado no aumento do número de consultores, que passou de 899 para 960, e, consequentemente, do volume de faturação, justifica Alfredo Valente. Foi um dos anos “mais desafiantes para o setor imobiliário, com a recuperação de uma pandemia, uma guerra na Europa sem fim à vista e outra no Médio Oriente”, considera. Recorde-se que em 2023 foram transacionadas em Portugal 136 499 habitações, menos 18,7% do que no exercício de 2022 - o registo mais baixo desde 2017. O volume de vendas atingiu os 28 mil milhões de euros, apresentando uma queda homóloga de 11,9%.

Instabilidade política, elevada inflação e taxas de juro elevadas “provocaram um decréscimo acentuado no poder de compra dos portugueses”. A este retrato acresce a “profunda crise na habitação [que o país atravessa], com falta de oferta ajustada aos rendimentos dos portugueses e falta de construção nova para responder à elevada procura”. A performance da IAD acabou por ser impactada por toda esta conjuntura.
A imobiliária, que tem sede no Porto - o seu único espaço físico -, fechou o ano de 2023 com um volume de negócios de 15,8 milhões de euros, o que representou uma quebra de cerca de 15% face a 2022. A mediadora concretizou 1904 transações, menos 9,67% quando comparado com o exercício precedente, com o valor médio a rondar os 197 mil euros, um decréscimo de cerca de 8,79%.

Os investidores portugueses foram responsáveis por 68,4% das transações. Já os internacionais representaram 31,5%. No top 5 das principais nacionalidades, encontram-se os franceses, seguidos dos britânicos, norte-americanos, brasileiros e, a fechar a lista, os alemães. Os distritos onde a IAD vendeu mais casas foram os de Lisboa, Faro e Leiria.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt