Numa nota de pesar, o Ministério das Finanças lamenta a morte de Teodora Cardoso, que considera "um exemplo e uma economista incontornável na história da democracia portuguesa".
Para o ministro Fernando Medina, a economista "representou e continuará a representar um referencial de seriedade, rigor e exigência não só para economistas, como para todos os envolvidos no desenho e implementação de políticas públicas".
Entre os contributos de Teodora para a causa pública nos últimos anos, as Finanças destacam "a presidência do Conselho de Finanças Públicas, organismo do qual foi fundadora, pugnando pela defesa de princípios de transparência, independência, sustentabilidade e responsabilidade na condução da política orçamental".
Teodora Cardoso morreu este sábado aos 81 anos de idade. Ontem, também numa nota de pesar, o Presidente da República homenageou a "economista reconhecida e respeitada, com uma vida dedicada ao país com elevado sentido de missão e plena dedicação à causa pública, nos anos mais recentes com relevância nas finanças públicas".
Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que, em 2019, ano em que Teodora Cardoso deixou a presidência do Conselho das Finanças Públicas, agraciou a economista com a Grã-Cruz da Ordem Infante D. Henrique "pelo relevante serviço a Portugal".
Economista prestigiada e ávida leitora de policiais, contribuiu para o debate público em torno da política económica e financeira do país, sendo muitas vezes uma voz crítica das opções governamentais.
Licenciada em Economia no ISEG, grande parte da carreira de Teodora Cardoso foi passada no Banco de Portugal (entre 1973 e 1992), tendo contribuído para a modernização do trabalho da instituição. Participou em vários projetos do banco central, nomeadamente na elaboração da Lei Orgânica do Banco de Portugal (1975) e na reformulação geral das estatísticas monetárias (1976/1977).
Foi consultora do Banco Português de Investimento (BPI) de 1992 a 2008, data a partir da qual voltaria ao Banco de Portugal, integrando o seu Conselho de Administração, era Vítor Constâncio governador, e onde permaneceria até 2012. Nesse ano assumiria a liderança do Conselho das Finanças Públicas, órgão criado para supervisionar as contas do Estado. Sairia em 2019, sendo substituída por Nazaré Costa Cabral.
Numa nota de pesar, o Conselho das Finanças Públicas lembra que a economista "desempenhou ao longo da sua vida profissional um papel determinante no estudo, acompanhamento e defesa da economia portuguesa no trabalho desenvolvido na Fundação Calouste Gulbenkian, no Banco de Portugal e no Conselho das Finanças Públicas (CFP), bem como em inúmeras intervenções públicas", e manifesta o seu "apreço e gratidão prestando homenagem à mulher e economista que muito marcou e contribuiu para afirmar a independência desta instituição".
Também o Banco de Portugal "realça o brilhante percurso de uma economista que esteve ligada à instituição ao longo das últimas cinco décadas".
Mulher pioneira num universo sobretudo masculino (foi a primeira mulher na administração do Banco de Portugal), dedicou a vida à carreira profissional. Em 2015 recebeu o prémio Prémio Dona Antónia Adelaide Ferreira, "uma homenagem a uma obra realizada e merecedora de inequívoco reconhecimento público".
Com Lusa