"Os riscos de recessão em 2023 estão afastados", tendo em conta os indicadores disponíveis e a economia teve um arranque de ano melhor do que se esperava, devendo crescer 0,6% em termos reais no primeiro trimestre face aos últimos três meses de 2022, referiu Fernando Medina na audição parlamentar de preparação para o debate sobre o Programa de Estabilidade 2023-2027, que terá lugar na semana que vem.
Na Comissão de Orçamento e Finanças, o ministro disse esperar que este ano o crescimento vai surpreender pela positiva, tendo destacado o impulso de "um maior crescimento das exportações" e de "um menor crescimento das importações.
Afastou a sombra de uma recessão e disse que a retoma já está a acontecer este ano. "A economia teve um comportamento bastante melhor no último trimestre de 2022 do que se esperava", altura em que o crescimento trimestral (em cadeia) foi de 0,3%, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).
Mas, diz Medina, o crescimento dos primeiros três meses deste ano deve duplicar face ao final de 2022.
"A nossa economia terá registado no primeiro trimestre de 2023 um crescimento ainda mais forte, que se estima que tenha sido de 0,6% em cadeia", disse o governante.
Para o conjunto de 2023, as Finanças preveem, no PE 2023-2027, que a economia portuguesa possa aumentar em termos reais (já descontando a inflação de 5,1% prevista agora pelo governo) cerca de 1,8%.
Esta nova projeção de crescimento é igual à do Banco de Portugal (avançada pelo governador Mário Centeno, em março), mas fica muito acima da previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI), que apontou para 1% em 2023, há pouco mais de uma semana.
Medina destacou o motor que é o "setor do turismo", assim como "o setor exportador na sua globalidade, incluindo bens e serviços".
Este setor está "a crescer bastante acima do que cresceu num passado muito recente", acrescentou o ministro.
Em média, o governo prevê que a inflação de 2023 fique nos 5,1% este ano, o que "significa que o andamento previsto da inflação, sobretudo do mês de abril para a frente, será descendente, aproximando-se dos 3% no final do ano", disse Medina.
Quanto às taxas de juro dos empréstimos às famílias e empresas, elas ainda devem subir um pouco, mas não muito.
Segundo os dados dos mercados consultados pelo governante, nos próximos 12 meses, a euribor a 3 meses deverá fixar-se "num patamar médio de 3,8%", deverá ainda haver "alguma subida nos próximos meses, mas contida nestes patamares".
Portanto, os máximos da euribor que podemos ainda esperar devem acontecer "durante este ano de 2023", afirmou Medina.
(atualizado 20h00)