O Congresso Douro & Porto - Memória com Futuro, promovido recentemente pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, estruturou-se em torno de cinco eixos temáticos - Território, Gentes, Vinha, Vinho e Mercados - tendo alguns dos oradores centrado a sua atenção no passado, enquanto outros se focaram mais em perspetivar o futuro. Mas sempre reconhecendo que este não pode viver sem aquele, do mesmo modo que o passado só verdadeiramente se valoriza se ajudar a construir o futuro.
Embora esta última frase reflita o mais básico senso comum - alguns até dirão que é uma verdade de La Palice - a questão é que os preconceitos ideológicos nem sempre ajudam a que assim aconteça. Antes do 25 de Abril, o elogio do passado, sob a forma de uma hipervalorização da História e de uma adaptação das estórias que a ajudam a compor, parecia ser um fim em si mesmo. Só não o era porque, na realidade, servia para caucionar um regime fechado, retrógrado e autocrático.
Já com a Revolução dos Cravos passou a ser politicamente incorreto dar valor a muito daquilo que nos tornou grandes. Até a palavra "descobrimentos" adquiriu uma carga negativa, que se reflete, por exemplo, na incapacidade de criação de um museu dedicado àquela que é provavelmente a época mais brilhante da nossa vida enquanto nação. Um museu que, estando ao serviço do desenvolvimento da sociedade, constituísse um repositório e, principalmente, uma plataforma de investigação e de difusão do conhecimento sobre um dos mais vibrantes períodos da Humanidade.
Porque não se pode negar que fomos grandes descobridores - não de terras, pois a grande maioria dos sítios aonde chegámos era habitada, mas de caminhos, de vias, de percursos. E num mundo como aquele em que vivemos, em que o importante não é possuir mas conectar, deveríamos ter orgulho naquilo que fizemos e não a "consciência pesada" de quem aparentemente está arrependido de ter feito o que não devia.
Correndo o risco de ser acusado de economicista, a verdade é que isto tem a ver com a forma como a marca Portugal se posiciona, não só junto dos potenciais clientes de produtos e serviços, mas também da generalidade dos stakeholders internacionais. O que significa que afeta o potencial de valorização das exportações, a capacidade de atração de investimento e de talento, bem como a eficácia da diplomacia política, económica e cultural.
Tudo isto faz com que o fortalecimento da marca Portugal seja um fator crítico para a criação de valor pelo contributo que dá para o sucesso tanto das nossas empresas como das instituições, designadamente as ligadas à cultura, à investigação, à inovação e ao ensino.
Neste contexto, uma coisa é certa: é impossível dar força à marca do país a partir do nada. Há que a potenciar com base naquilo que são os principais ativos de Portugal: os Portugueses e a sua História. Só assim poderemos criar um projeto sólido para as próximas gerações. Um projeto que, conjugando Memória e Futuro sem preconceitos, reforce o nosso posicionamento no mundo global em que vivemos.