Memoriais e marmoirais que contam histórias

Estes monumentos medievais foram construídos em pedra para evocar a memória ou morte de alguém, como o Memorial da Ermida, em Penafiel.
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Três dos sete memoriais ou marmoirais existentes em Portugal podem ser visitados nos percursos da Rota do Românico. São monumentos medievais, construídos em pedra para evocar a memória de alguém. "O Memorial representa memórias e o Marmoiral usa-se para assinalar a morte de alguém", explica Joaquim Costa, intérprete do património da Rota do Românico. "De uma forma geral, considera-se que os memoriais servem para lembrar a memória de alguém importante ou que fez o bem, alguém que fez obras pias como a construção de pontes ou igrejas. Já o termo Marmoiral lembra a doença ou a morte de alguém".

A Rota do Românico é um projeto turístico-cultural que reúne 58 monumentos e dois centros de interpretação, distribuídos por 12 municípios dos vales do Sousa, Douro e Tâmega.
Dos monumentos românicos que compõem a rota, constam os memoriais. Para os explicar, existem diversas lendas que, centenas de anos depois da sua construção, continuam a ser contadas. O Memorial da Ermida, em Penafiel, terá sido construído em meados do século XIII. "A principal característica do Memorial da Ermida é que tem uma base e por cima tem quatro caras, aparentemente de homens, onde vemos o que parece ser uma tampa sepulcral. Por cima temos um arco de volta perfeita", uma das características dos memoriais. Na origem da construção do monumento estará a memória de Mafalda Sanches, uma das filhas de D. Sancho I e, mais tarde considerada beata.

Era uma devota de Nossa Senhora da Silva, uma imagem que estava na Sé do Porto. A 1 de maio de 1256 adoeceu gravemente em Rio Tinto e acabou por falecer neste local. Perante a questão de onde iria ser sepultada, a povoação de Rio Tinto sugeriu que fosse sepultada no local onde faleceu. Contudo, como Mafalda Sanches vivia no Mosteiro de Arouca, a população defendeu que devia regressar a "casa". Até que alguém sugeriu que onde parasse a mula que transportava o corpo era onde D. Mafalda iria ser sepultada. O animal rumou para Arouca e foi aí que foi sepultada. Mas este cortejo fúnebre teve várias paragens e diz a lenda que onde a mula parou para descansar construíram-se memoriais. Logo, o Memorial da Ermida terá sido construído para lembrar Mafalda Sanches. E a mula terá parado em Ermida, Alpendorada, Marco de Canaveses e Sobrado, onde está o único Marmoiral identificado e catalogado.

A este Marmoiral está também associada a lenda que remete o nascimento de Santo António para Castelo de Paiva. Segundo a tradição, D. Martim de Bulhões enamorou-se de Maria Teresa Taveira. Pelo coração de Maria, D. Martim e D. Fafes fizeram um duelo. D. Martim venceu e mandou fazer um marmoiral em memória de D. Fafes. Da união entre Martim e Maria nasceu António, mais tarde Santo António de Lisboa. "São monumentos que guardam a memória de alguém e que, por isso, tem lendas e histórias associadas", finalizou Joaquim Costa.

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