O MEO, a NOS e a Vodafone operam em regime de oligopólio (do grego oligos, poucos, e polio, vendedor), ou seja, atuam num mercado com poucos vendedores e muitos compradores.
Em 2014, as três operadoras destacaram-se como as empresas de serviços que registaram o maior investimento relativo. No conjunto, e de acordo com a análise da Ignios, as empresas são responsáveis por 91% do valor global investido pelas empresas do top 10 de serviços.
A MEO, que acaba de contratar “o melhor do mundo”, ganha a medalha de ouro no investimento em 2014 (1,2 mil milhões) e tem o maior nível de investimento acumulado. A prata vai para as mãos da NOS (871 milhões), enquanto a Vodafone - na 4.ª posição do top - tem um gap considerável face às restantes (155 milhões).
“O nível elevado de investimento é inerente à tipologia de negócio - investimento em telecomunicações - bem como ao facto de operarem num mercado regulado, com limitações a nível da concorrência e escala”, contextualiza a consultora Baker Tilly. O nível de investimentos acumulados da MEO é suficiente para fazer face aos 6896 milhões de dívida bancária. A crise económica não bloqueou o progresso tecnológico.
Os dados mais recentes da Comissão Europeia revelam que as operadoras de telecomunicações nacionais têm um investimento superior à média europeia. Olhando para os vários segmentos, os clientes de acessos telefónicos rondavam os 3,7 milhões no final de 2014. Já no serviço móvel existiam 16,7 milhões de cartões SIM, enquanto o número de assinantes de pacotes de serviços de telecomunicações ascendeu a 2,9 milhões.
Os últimos anos têm sido particularmente agitados para o sector das telecomunicações. Em 2013, nasceu a NOS, resultado da fusão da Zon com a Optimus. Já em 2014, a PT Portugal, dona do Meo, passou de gigante lusófona a subsidiária francesa, na sequência do colapso do universo Espírito Santo.
O default da Rioforte de 897 milhões de euros em dívida à PT ditou uma renegociação dos termos do negócio entre a Oi e o grupo Portugal Telecom e a venda da PT Portugal à Altice. Já neste ano, a NOS fechou um negócio de 400 milhões com o Benfica, ao comprar os direitos televisivos dos jogos do clube da Luz por dez anos.