

Numa semana fortemente marcada por resultados empresariais, as perspetivas para 2026 condenaram a Airbus a um sell-off. Nos EUA, o setor do retalho tem um novo "rei" de vendas e os futuros de West Texas subiram para lá de 5% em menos de dois dias.
As bolsas europeias registaram uma sessão negativa na quinta-feira, dia 19 de fevereiro, com os índices de referência das principais praças a registarem descidas. Em Lisboa, o PSI seguiu pelo mesmo caminho, depois dos máximos de 2008, alcançados na quarta-feira.
A semana volta a ficar marcada pela apresentação de resultados de um sem número de empresas. Olhando para o índice Euro Stoxx 50, que agrega as 50 cotadas europeias com maior exposição de capital nos mercados financeiros, o principal destaque de quinta-feira vai para a Airbus Group, precisamente na reação aos resultados financeiros.
A fabricante de aviões apresentou os resultados do quarto trimestre do ano passado, com a receita a ficar abaixo do estimado, ao mesmo tempo que o lucro atingiu um recorde. Posto isto, foi nas perspetivas para 2026 que se focaram os investidores, em virtude de os números desiludirem substancialmente, face ao esperado.
Os dados anteriormente divulgados pela Airbus indicavam a expetativa de entregar 820 aviões este ano. Porém, um problema ligado à fuselagem das aeronaves A320 poderá afetar até 628 unidos. Assim sendo, a companhia antecipa agora "cerca de 790" aviões entregues até final do ano.
A insegurança dos investidores ficou bem patente, desde a primeira hora da sessão de quinta-feira. As ações da Airbus, que negoceiam na bolsa de Frankfurt, protagonizaram uma queda de 6,73% e terminaram o dia nos 187,06 euros.
Resultados em solo norte-americano
Também na bolsa de Nova Iorque os investidores estiveram atentos às apresentações de resultados financeiros. Neste âmbito, a sessão ficou marcada pela apresentação de contas da Walmart. A gigante empresarial atua no retalho presencial (com supermercados) e online. Tem presença em 20 países e registou vendas ligeiramente acima do esperado no quarto trimestre de 2025, ao crescerem 4,9% em termos homólogos, até aos 190,7 mil milhões de dólares.
Os números reforçam a ideia de resiliência da economia norte-americana. Ainda assim, as ações encerraram o dia com uma desvalorização 1,38%, até aos 124.87 dólares, em função de perspetivas modestas para 2026. Em causa está um crescimento dos ganhos por ação na ordem de 4,2% a 8,0% (abaixo dos 12,1% antecipados). Não obstante, a política da empresa costuma passar precisamente por divulgar metas relativamente fáceis de alcançar, antes subir as mesmas ao longo do ano.
De resto, importa comparar os resultados da Walmart com os da Amazon. Esta última bateu pela primeira vez a rival, no que diz respeito à faturação anual.
Tal não é uma estreia, na medida em que esta alteração de paradigma registou-se pela primeira vez há precisamente um ano, quando a Amazon alcançou uma faturação acima da rival, no quarto trimestre de 2024. Porém, trata-se de um marco importante na história do retalho físico e digital (ambas as empresas estão presentes com grande força nas duas dimensões), já que uma liderança histórica foi quebrada. No último ano fiscal, a Amazon faturou 716,9 mil milhões de dólares, acima dos 713,2 mil milhões da Walmart.
Barril em alta e inflação a caminho
De resto, os últimos dois dias foram amplamente positivos para os futuros do barril, em especial o West Texas, negociados em Nova Iorque. Na origem estão as crescentes tensões geopolíticas no Médio Oriente, à medida que aumentam os receios de um eventual ataque dos EUA ao Irão.
Este último tem uma das maiores reservas de petróleo do mundo e está entre os maiores exportadores daquele recurso, pelo que o clima tenso faz disparar as negociações. Entre a abertura das bolsas europeias de quarta-feira e o encerramento do dia seguinte, registava-se uma subida próxima de 5,8%.
Esta sexta-feira, antes da abertura de Wall Street, o Departamento do Comércio dos EUA vai divulgar a variação do Índice PCE em dezembro. Este acompanha a variação dos preços (vulgo inflação) daquela economia e é, a esse respeito, o elemento favorito da Fed (acima do Índice de Preços no Consumidor, habitual na Europa).
Consoante os dados, os mercados podem inferir sobre potenciais futuros cortes nas taxas de juro de referência. Recorde-se que, de acordo com as atas da última reunião da Fed, publicadas na quarta-feira, os responsáveis daquele organismo estão indecisos sobre decisões futuras e até uma eventual subida voltou a ser discutida.