

As quedas nos 'chips', em reação aos resultados da Nvidia, voltaram a marcar o dia em Wall Street. Por cá, EDP e EDP Renováveis também apresentaram contas e tombaram mais de 2%.
Os avultados investimentos no desenvolvimento de IA teimam em não gerar faturação que agrade aos acionistas, cujos receios voltam a ressurgir. Mesmo com contas e perspetivas acima do estimado, a empresa de capital aberto mais valiosa do mundo deu um tombo dos grandes, na sessão de quinta-feira.
Falamos da Nvidia, fabricante dos famosos chips semicondutores, fundamentais para a Inteligência Artificial. Apresentou os resultados do quarto trimestre de 2025 e as expetativas de vendas do trimestre em curso, que ficaram acima das expetativas existentes... mas nem assim houve boa disposição entre os investidores.
O resultado foi de 68,13 mil milhões de dólares, o que significou um lucro por ação (EPS, na sigla em inglês) de 1,62 dólares, ao mesmo tempo que a receita subiu 73% no face a igual período de 2024. Todos estes indicadores ficaram acima das previsões do mercado, mas a Nvidia registou uma desvalorização de 5% até aos 185,76 dólares por ação, perto das 19 horas de quinta-feira.
Os enormes investimentos (capex) em IA, sobretudo por empresas norte-americanas (caso da Nvidia) geram inseguranças, já que não se regista faturação que os valide. A sustentabilidade dos mesmos está sob os holofotes há vários meses e tem feito tremer Wall Street durante as épocas de resultados, numa tendência que volta a repetir-se.
De resto, o sentimento negativo espalhou-se pela tecnologia. Nota para o Philadelphia Semiconductor Index (que segue o comportamento das maiores cotadas ligadas aos semicondutores), assim como para o índice Nasdaq 100 (acompanha as 100 tecnológicas com maior exposição de capital em Wall Street. Estes caíam 3,68% e 1,41%, respetivamente, também pelas 19h de quinta-feira.
Recorde-se que a Nvidia tem planos para investir em Portugal. Está envolvida no Data Center que a Start Campus está a erguer em Sines, em parceria também com a Microsoft e a Nscale. Ora, também esta semana, soubemos que a mesma Start Campus assinou com a EDP um protocolo para o fornecimento de eletricidade.
Este é um recurso exigido em grande volume por qualquer data center, pelo que o acordo é “um passo interessante” para a empresa, no âmbito das infraestruturas digitais. A garantia é do CEO da EDP, Miguel Stilwell d’Andrade, que falou na quinta-feira, após a apresentação de resultados.
A energética registou um aumento homólogo de 44% no lucro em 2025, mas os dados não animaram os investidores. É que EDP e EDP Renováveis caíram mais de 2% e arrastaram o índice PSI, o principal da bolsa de Lisboa, para terreno negativo (contraiu 0,30%). Em causa esteve a reação às contas da casa-mãe, depois de a subsidiária apresentar contas na véspera.
De entre as 16 cotadas do PSI, a que também divulgou resultados durante a semana foi o Millenium BCP, após o fecho da sessão de quarta-feira. O único banco representado no índice valorizou quase 1% e as ações terminaram o dia acima dos 92 cêntimos.
Os "melhores resultados de sempre", como descreveu Miguel Maya, CEO do BCP, trouxeram lucros de 1,02 mil milhões de euros em 2025, um aumento de 12,4% e acima das projeções. As operações internacionais protagonizaram um crescimento de 33%, até aos 291,9 milhões (essencialmente em resultado da operação do Bank Millenium, estabelecido na Polónia).