

O mercado de ações de Arábia Saudita abriu no domingo, dia 2, a todos os investidores estrangeiros. O aumento da liquidez e a descentralização da economia no petróleo estão entre os objetivos.
O estatuto de Investidor Estrangeiro Qualificado existia para limitar o acesso a um limitado grupo de investidores sem nacionalidade saudita (além dos cidadãos daqueles país). A partir de agora, a restrição deixa de ser uma realidade na Tadawul, a bolsa daquele país.
Em causa está uma decisão do regulador para o efeito. A Autoridade dos Mercados de Capitais espera que a consequência passe pelo aumento das entradas de dinheiro e que estas cheguem de todo o mundo, provocando um aumento na liquidez do mercado.
Na prática, qualquer investidor estrangeiro pode investir na bolsa de valores saudita a partir dos 500 SAR (equivalente a 112 euros, à taxa de câmbio atual).
A maior liquidez tem por base um maior número de investidores. Permite, nos mercados de capitais de todo o mundo, que as cotações das empresas e dos respetivos títulos variem de forma menos volátil. Um bom exemplo é o que acontece no verão: havendo menos investidores ativos (muitos estão de férias), há tendência para movimentos mais bruscos.
Em curso está o Vision 2030. Uma ampla estratégia de diversificação da economia, com o propósito de reduzir a dependência da indústria do petróleo. A queda dos preços naquele setor e a intenção de crescer enquanto potência estão na origem de maiores investimentos em áreas como IA, turismo e desporto.
À data, a bolsa saudita conta com representação significativa de outros setores, como é o caso da tecnologia, média e banca, entre outros.
De resto a cotada com maior capitalização de mercado opera precisamente naquele setor: é a Saudi Aramco, nada mais nada menos do que a petrolífera mais valiosa do mundo, detida pelo estado saudita.
De resto, o país do Médio Oriente conta com a maior bolsa de valores da região. Existe desde 2007, está sediada em Riade e, por esta altura, procura atrair investidores estrangeiros. Para tal, colocou em negociação ETFs (fundos cotados) com parceiros asiáticos, no Japão e em Hong Kong (duas das principais bolsas no que diz respeito aos mercados asiáticos).
O regulador comunicou, em setembro, que estaria disposto a flexibilizar o limite de 49% no que diz respeito à participação estrangeira em empresas que têm capital exposto na bolsa. Na altura, as cotações subiram em flecha.
A nível financeiro, do ponto de vista do mercado saudita, não existiram mudanças de fundo, na perspetiva do JP Morgan. É que, de acordo com uma análise do banco norte-americano, "quase todos" os investidores internacionais estavam no passado autorizados a investir na bolsa saudita. A grande diferença é qualquer pequeno investidor passa também a poder investir nas empresas sauditas de capital público.
"A mudança regulatória chave que os investidores aguardam é a mudança nos limites para acionistas estrangeiros, que deverá ter algum impacto positivo no mercado", mas não antes do início do segundo trimestre, pode ler-se numa nota do gigante da banca.
A alteração pode, ainda assim, fortalecer aquele mercado e torná-lo mais atrativo, coisa que não foi tão visível em 2025.
O ano foi francamente positivo para os mercados bolsistas em particular na Europa e nos Estados Unidos, com os índices de referência a subirem na ordem dos dois dígitos, em percentagem. O mesmo não aconteceu na Arábia Saudita, a julgar pela performance do Tadawul All-Share Index (TASI).
O principal índice da bolsa saudita registou uma quebra anual de 12,8% e fechou nos 10.491 pontos. Em causa está o nível mais baixo atingido num final de ano nos últimos dez anos.