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Guerra provoca tombos nas bolsas europeias mas energéticas valorizam. Petróleo e ouro disparam

Os mercados reagem em força aos ataques dos EUA e Israel no Irão. O barril e o ouro disparam e as bolsas contraem. Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irão atacou bases americanas na região.

Petrolíferas sobem em flecha a beneficiar do disparo no preço do barril

Nos mercados, quando os futuros do barril de petróleo negoceiam em forte alta, é comum as petrolíferas ao redor do mundo registarem subidas acentuadas.

É o caso na sessão desta segunda-feira. Se olharmos às principais operadoras europeias do setor, a Galp está entre os principais destaques, ao valorizar 4,50%, até aos 19,04 euros por ação, perto das 11h53. A contribuir para esta subida estarão também os resultados da empresa, que trouxeram uma subida de 20% no lucro, para um valor recorde. Os números foram conhecidos ao início da manhã.

Noutras bolsas de valores europeias, registam-se subidas ainda mais acentuadas em empresas que trabalham no setor petrolífero. É o caso da norueguesa Equinor (6,46%) e, sobretudo, na britânica Tullow Oil (21,01%). Acrescem subidas de 4,49% na finlandesa Neste Oyj, 2,85% na francesa Total Energies e 2% na italiana Eni SpA.

As britânicas Shell e BP adiantam-se 2,2% e 2,42%, respetivamente.

Saindo da Europa, a maior petrolífera do mundo, a Saudi Aramco, está a valorizar 1,40% e alcança máximos de há um ano. Na Ásia, o sentimento é ainda mais positivo, se nos cingirmos ao setor energético. A japonesa Inpex e a australiana Woodside Energy subiram mais de 6%, ao passo que a China National Offshore Oil Corporation se adiantou mais de 3%.

Recorde-se que os barris de Brent (negociado na bolsa de Londres) e de WTI (negociado na bolsa de Nova Iorque) estão a disparar (ver peça infra), elevando as cotações das empresas do setor.

Dólar avança sobre o euro com investidores à procura de refúgio 

O euro está a cair 0,70% face ao dólar, pelo que um euro está a ser avaliado em 1,1731 dólares, pelas 11h18 desta segunda-feira, 2 de março.

O par euro/dólar está, por isso, em mínimos de 21 de janeiro. Em simultâneo, o dólar valoriza 0,55% frente ao iéne japonês e 0,57% face à libra britânica, para dar exemplos da variação da moeda norte-americana face a outras divisas.

Este movimento tem por base a procura dos investidores por ativos de refúgio. É o caso do dólar, para o qual migra, por norma, muito capital, em momentos de tensão geopolítica.

É o caso, neste momento, em função da guerra que opõe EUA e Israel ao Irão. Esta levanta receios acerca de possíveis disrupções ao nível da oferta de recursos essenciais à economia global, como é o caso do gás natural liquefeito (GNL) e do petróleo (ver peças infra sobre estas alterações).

Neste contexto, os investidores procuram formas de evitar que o seu dinheiro perca valor. Além da valorização do dólar, regista-se um disparo de 3% nos futuros ouro (ver também numa peça infra).

Lufthansa e Turkish Airlines caem perto de 6% em reação a cancelamentos

A guerra despoletada durante o fim de semana no Médio Oriente está a provocar quedas fortes nas bolsas.

Entre as empresas que mais desvalorizam, surgem as transportadoras aéreas que estão a cancelar voos para a região, por razões de segurança. Os constrangimentos nas ligações que fariam uso do espaço aéreo do Médio Oriente estão a causar tombos agressivos.

Pelas 10h50 desta segunda-feira, 2 de março, a Lufthansa recua 6,11% e fica-se pelos 8,533 euros. Cotada na bolsa alemã, a empresa está em mínimos de meados de janeiro. Em simultâneo, a Turkish Airlines contrai 5,37% até aos 291 liras turcas (5,64 euros), o que também corresponde a mínimos de meados daquele mês.

É previsível que a situação se altere nos próximos dias, de forma positiva ou negativa, consoante o desenvolvimento do conflito.

Lufthansa e Turkish Airlines suspendem voos para vários países do Médio Oriente

O maior grupo de companhias aéreas da Europa, a Lufthansa, suspendeu este sábado, 28, os voos de e para Telavive, Beirute, Amã, Erbil e Teerão até 07 de março, na sequência dos ataques dos EUA e Israel contra o Irão.

Além disso, as companhias aéreas do grupo vão também suspender os voos de e para o Dubai e Abu Dhabi até domingo, anunciou a Lufthansa em comunicado, justificando as medidas com “a situação atual no Médio Oriente”.

Também a companhia aérea turca Turkish Airlines suspendeu este sábado, 28, os voos para dez países do Médio Oriente.

“Os voos para o Líbano, Síria, Iraque, Irão e Jordânia foram cancelados até 02 de março”, escreveu um porta-voz da empresa nas redes sociais.

Os voos desta companhia aérea para o Qatar, Kuwait, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Omã também foram suspensos, mas, por enquanto, só durante o dia de hoje, 28 de fevereiro.

Contactada pela agência Lusa, fonte oficial da TAP disse que, neste momento, não tem voos para Israel, tendo em dezembro anunciado que previa retomar, no final de março, as ligações para Telavive, suspensas desde outubro de 2023, aquando dos ataques do grupo islamita palestiniano Hamas que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza.

Os Estados Unidos e Israel iniciaram este sábado, 28, de manhã, um ataque conjunto ao Irão, que atingiu a capital, Teerão.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que os Estados Unidos (EUA) iniciaram “grandes operações de combate no Irão” e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que o ataque tem como objetivo “eliminar uma ameaça existencial representada” pelo regime iraniano.

O Irão já respondeu, entretanto, lançando mísseis sobre a base militar norte-americana no Bahrein.

Teerão também tentou atacar o Qatar, que conseguiu intercetar os mísseis.

O ataque dos EUA e Israel acontece dois dias depois da última ronda de negociações com o Irão sobre o programa nuclear iraniano, sendo que estavam marcadas novas conversações para a próxima semana.

Washington exige que o Irão cesse o enriquecimento de urânio e limite o alcance dos seus mísseis, que Teerão recusa, aceitando apenas cortes no seu programa nuclear em troca da suspensão das sanções em vigor.

Lusa

Ouro adianta-se 3% a beneficiar da tensão

Enquanto ativo de refúgio, o ouro tem tendência para valorizar em cenários de tensão geopolítica, como é o caso. Assim sendo, o preço praticado pelos futuros do minério avança 2,96% e alcança os 5.403 dólares, pelas 10h33 da manhã desta segunda-feira, 2 de março.

Está, por isso, em máximos do final de janeiro, quando acabaria por registar quedas fortes, fruto da escolha de Kevin Warsh como próximo presidente da Reserva Federal (Fed).

Preços do gás na Europa disparam mais de 22% com ataques ao Irão

Os preços do gás na Europa dispararam esta segunda-feira, 2 de março, mais de 22% devido aos ataques dos EUA e de Israel contra o Irão, que estão a comprometer as exportações de gás natural liquefeito (GNL) do Golfo, sobretudo as do Qatar.

Cerca das oito horas em Portugal continental, o contrato de futuros holandês TTF, considerado a referência europeia, subiu mais de 20%, depois de ter subido 22% para 38,885 euros, um preço ainda inferior ao atingido em janeiro devido a uma vaga de frio.

Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, alegadamente para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa "eliminar ameaças iminentes" do Irão e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justifica a ação conjunta contra o que classificou como uma "ameaça existencial".

O Irão já confirmou a morte do 'ayatollah' Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989 e decretou um período de luto de 40 dias.

Lusa

Preço do barril dispara 7% com crise no Irão

Com o cenário incerto num país que é um dos maiores produtores de petróleo em todo o mundo, a procura pelos futuros do barril de petróleo está a disparar.

O Brent, negociado na bolsa de Londres, avança 7% pelas 10h05 desta sexta-feira, até aos 77,97 dólares por barril. Ao mesmo tempo, o WTI, negociado em Nova Iorque, sobe 6,67% e está nos 71,49 dólares por barril.

Recorde-se que o Irão ficou entre os dez maiores produtores de petróleo em 2025. De resto, tem as terceiras maiores reservas daquele recurso em todo o mundo, só atrás de Venezuela e Arábia Saudita.

Bolsas europeias registam quedas fortes

As principais praças europeias veem os respetivos índices perderam pontos, de forma acentuada, na sessão desta segunda-feira, 2 de março.

Na origem estão as tensões e o cenário de incerteza criados pelo conflito no Médio Oriente, que marcou o fim de semana.

O índice espanhol IBEX 35 lidera as descidas, ao atingir 2,89%, pelas 9h55 da manhã. Seguem-se os índices de referência em Itália, na Alemanha e em França, que perdem 2%, 1,89% e 1,59%, respetivamente. No Reino Unido, a perda é mais leve, na ordem de 0,93%.

Em simultâneo, o índice agregado Euro Stoxx 50 está a contrair 2,03% e o Euro Stoxx 600 recua 1,47%.

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