Gás natural dispara 50% após alerta para temperaturas geladas nos EUA

Os termómetros deverão acusar frio rigoroso nos próximos dias nos Estados Unidos, de tal modo que se esperam aumentos no consumo energético. As negociações já dispararam 50% desde o início da semana.
Gás natural dispara 50% após alerta para temperaturas geladas nos EUA
Artur Machado / Global Imagens
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Os futuros do gás natural estão a disparar 50% desde o início da semana, em função de expetativas de aumento no consumo de energia nos Estados Unidos, a curto prazo.

Os contratos negociados nos EUA estão em forte alta, em virtude da vaga de frio que se aproxima do país. Esta deverá atingir sobretudo a região Este, nos próximos dias.

Neste contexto, os preços do gás natural sobem 19,45% perto das 12h50 desta quarta-feira. Ao mesmo tempo, regista-se um disparo de 50,4% desde o início da semana.

Na origem de toda a agitação está um anúncio do Serviço Meteorológico Nacional dos EUA, que alertou para ventos extremamente gelados, passíveis de causarem hipotermia ou até mortes. Dito isto, há a expetativa de que o consumo de energia aumente de forma expressiva, para aquecer as habitações, pelo que os investidores procuram posicionar-se para beneficiar de todo o cenário. Ao mesmo tempo, porém, há outros fatores de peso.

Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe, descreve este como "um dos movimentos mais abruptos dos últimos anos", numa análise enviada às redações. "A subida está a ser alimentada por três fatores que se reforçam mutuamente", assinala.

"A aproximação de uma vaga de frio na Europa, níveis de armazenamento na Europa abaixo de 52% da capacidade (face a uma média de 67% a cinco anos) e uma procura acrescida de gás natural liquefeito (LNG) para responder ao pico de consumo", identifica, apontando para reinvestimentos realizados nos mercados de capitais.

"Com reservas mais apertadas, qualquer revisão das previsões meteorológicas tem impacto imediato nos preços", assinala. Por outro lado, "a subida rápida levou alguns fundos a recomprar posições vendidas, acrescentando pressão compradora e volatilidade", acrescenta Henrique Valente, antes de olhar para o futuro a médio prazo.

"Nos EUA, o Henry Hub, a principal referência do gás natural norte-americano, acompanha o tom depois de uma mudança brusca nas previsões para o Nordeste e o Centro-Oeste, levando o mercado a antecipar retiradas mais fortes nas próximas semanas", finaliza.

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