

Os mercados financeiros europeus registaram perdas na sexta-feira, apesar dos sinais positivos deixados por Christine Lagarde, no evento mais importante da semana para o setor. Em Wall Street, novos receios ligados à IA estão na origem de um sell-off de ações.
Na quinta-feira, a presidente do Banco Central Europeu sublinhou o abrandamento da inflação em janeiro e apresentou perspetivas de que o indicador se mantenha dentro do limite, definido pelo BCE, "a médio prazo". No mesmo sentido, um euro mais forte seria incentivo para a redução da inflação, apontou.
Os sinais foram deixados pela própria na conferência de imprensa realizada após a reunião daquela instituição, que teve na ordem de trabalhos a tomada de uma decisão sobre política monetária. Ora, a opção foi pela manutenção das três principais taxas de juro, em linha com o que os mercados aguardavam. Uma decisão que foi tomada de forma unânime pelos responsáveis, adiantou Lagarde.
Assim, o foco dos investidores viraram-se para o discurso, tal como se esperava. Depois de a inflação abrandar para 1,7% em janeiro na zona euro, a líder do BCE salientou que as decisões daquele organismo vão continuar a depender dos dados macroeconómicos. "Não nos vamos comprometer previamente a um caminho", reiterou.
De resto, a própria antevê a inflação a "estabilizar no limite de 2%, a médio prazo". Neste âmbito, uma eventual valorização do euro deverá ter um papel importante, para tal, de acordo com Lagarde.
Ainda assim, nem tudo são sinais positivos. A "incerteza nas políticas de comércio global e tensões geopolíticas" resulta em "perspetivas incertas". Somando a isto o cenário de "deterioração do sentimento no mercado financeiro global", a consequência pode passar por uma "redução da procura", alerta.
Ora, os mercados europeus já seguiam em baixa antes de ser conhecida a decisão e assim se mantiveram, na sequência do discurso de Lagarde. Ao que as movimentações parecem indicar, o sentimento negativo tem maior ligação às contas apresentadas por várias empresas, dos mais diversos setores, do que à
Em plena época de resultados, o sentimento negativo foi particularmente evidente na banca, com o BBVA a cair mais de 8%, já que o lucro ficou abaixo das expetativas.
Também o setor automóvel protagonizou cortes expressivos. A Volvo Car apresentou um tombo de 68% nos lucros, pelo que as ações desvalorizaram perto de 22,5%. Em simultâneo, os grupos Volkswagen e Stellantis contraíram 3,68% e 5,71%, depois de pedirem o apoio da UE para darem resposta a um mercado competitivo. A decisão está na origem de inseguranças entre os investidores.
Do outro lado do Oceano Atlântico, os sinais negativos também tomaram conta da sessão, fruto de renovados receios no que diz respeito a uma eventual 'bolha' na IA.
A Alphabet, dona da Google, publicou os resultados do quarto trimestre. A empresa reforçou as perspetivas de investimento em IA para 2026, superando largamente o valor esperado pelos mercados. A conclusão passa pelo reacender das suspeitas de que a super valorização registada em 2025 pelas empresas que mais investem em IA possa constituir uma 'bolha'.
Em causa estão futuros investimentos entre 175 e 185 mil milhões de dólares. Desta quantia, uma grande parte será aplicada à IA. O anúncio fez tremer Wall Street, apesar de a faturação da empresa até bater as perspetivas que existiam. Em causa está mais um sinal de que os mercados estão bastante atentos e, em simultâneo, receosos, no que diz respeito a investimentos naquele ramo.
Ora, até perto das 18 horas, as ações da Alphabet caíam cerca de 2,55%. Outros players do setor, que também apostam em IA, seguiam pelo mesmo caminho. É o caso da Microsoft e da Amazon (a última até ia mais longe, ao recuar 3,40%).
Destaque ainda para as fortes quedas nas criptomoedas. É que a Bitcoin caía 9,50% e negociava abaixo dos 70 mil dólares, pela primeira vez desde novembro de 2024.