Investidores sorriem na expetativa por impactos de Trump na China

O presidente dos EUA está de visita à China, para uma viagem que concentra a atenção dos mercados. Trump levou os líderes de algumas das maiores tecnológicas americanas, pelo que o setor está em foco.
Donald Trump e Xi Jinping encontraram-se em Pequim, esta quinta-feira
Donald Trump e Xi Jinping encontraram-se em Pequim, esta quinta-feiraFOTO: EPA/WU HAO
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As bolsas registaram subidas generalizadas na quinta-feira. O foco deixou de estar centrado na guerra e virou para Pequim, com o otimismo moderado entre os investidores a marcar a sessão.

É que o presidente da China, Xi Jinping, recebeu o homónimo norte-americano, Donald Trump. Os chefes de Estado das duas maiores economias do mundo juntam-se para discutir assuntos que vão desde as relações comerciais à venda de semicondutores fabricados nos EUA. O encontro deverá durar dois dias, terminando nesta sexta-feira.

Ainda sem se saber o que vai sair da reunião, Xi fez saber que a porta de Pequim "para o mundo exterior vai abrir-se mais", pelo que "as empresas americanas vão desfrutar de perspetivas ainda mais promissoras na China. A afirmação surge num contexto em que o setor dos semicondutores ficou sob os holofotes, no âmbito do evento.

É que a administração liderada por Donald Trump autorizou 10 empresas chinesas a comprarem chips da penúltima geração da Nvidia. A decisão pode ser o início do fim (ou de uma pausa, pelo menos) na ‘guerra’ travada entre EUA e China que tem como foco restrições às empresas daquele setor. É que os dois países são os mais desenvolvidos do mundo na indústria de chips, fulcral no segmento da Inteligência Artificial (IA). Posto isto, procuram ganhar vantagens mas, simultaneamente, as parcerias podem beneficiar ambos os lados.

Dito isto, não será por acaso que Jensen Huang não estava inicialmente na lista da comitiva que viria a seguir viagem dos EUA para solo chinês, acabando depois por ser adicionado à última hora. Apesar de ser um nome pouco conhecido dos portugueses, este é o CEO da Nvidia, a empresa mais valiosa do mundo e a fabricante dos melhores semicondutores em todo o mundo. Sediada nos EUA, continua impedida de vender os chips da última geração a empresas chinesas, mas vê-se agora autorizada a vender os da geração anterior, em exclusivo a 10 empresas.

À parte deste acordo, as tarifas e as terras raras também estão na agenda, assim como a geopolítica deverá surgir, com Irão e Taiwan à cabeça. Em todo o caso, os mercados financeiros foram guiados por expetativas do que pode acontecer em Pequim, na sessão desta quinta-feira. Posto isto, a qualquer momento os índices podem mexer, seja para cima ou para baixo. Até porque, além do CEO da Nvidia, estão presentes executivos de um leque de outras gigantes de Wall Street (não apenas da tecnologia). São os casos da Apple, Tesla, BlackRock, Meta, Visa, JP Morgan e Boeing, a título de exemplo.

Ainda assim, há um vetor que, não obstante não estar ligado aos mercados de capitais, pode influenciar de forma expressiva o sentimento nas bolsas. Em causa está a posição dos EUA sobre o conflito entre a China e Taiwan.

Há vários anos que se sabe que Xi Jinping é totalmente contra a independência de Taiwan, que o líder considera parte do território chinês. Neste contexto, o próprio fez saber, nesta quinta-feira, que "a questão Taiwan" é "a mais importante matéria nas relações entre a China e os EUA", salientou, citado pela agência de notícias estatal.

Trump sabe disto e mantém relações positivas com Taipé, capital de um país crucial para o a indústria da tecnologia. Perante as tensões que se geraram nos últimos anos, é provável que destas discussões saiam novidades sobre este tema, que possivelmente terão impacto nos mercados de capitais.

Barril continua acima dos 100 dólares

O barril de Petróleo Brent, negociado na Europa, está acima dos 100 dólares desde quinta-feira da semana passada. Até às 19h50, as negociações rondavam os 106 dólares, o que significa que subiam 6% face à abertura de segunda-feira.

Os investidores continuam atentos a novos sinais que cheguem da guerra travada no Médio Oriente. Ainda assim, com as atenções de Trump e dos EUA agora voltadas para Pequim e para eventuais acordos com a China, também os investidores dão, nesta altura, menos importância ao que acontece no Médio Oriente, comparativamente com aquela que foi atribuída nas últimas semanas e meses.

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