

A evolução dos preços do gás nos próximos meses dependerá sobretudo da duração da atual crise geopolítica, podendo o impacto nas famílias e empresas tornar-se mais significativo caso o cenário se prolongue, alertou o presidente executivo da Floene.
“A exposição da economia a estes efeitos geopolíticos é muito grande e, portanto, é incontornável […] acaba por impactar mais nas famílias e nas empresas”, disse em entrevista à Lusa Gabriel Sousa.
Ainda assim, o responsável sublinha que o atual contexto está longe do choque vivido em 2022, quando os preços do gás chegaram a atingir cerca de 300 euros por megawatt-hora, face a níveis atuais “ligeiramente acima dos 60 euros”.
Apesar da incerteza, considera que a Europa está hoje melhor preparada para responder a uma nova crise energética. “O espaço europeu […] está mais bem preparado do que estava em 2022”, disse, apontando para os mecanismos entretanto criados para mitigar choques de mercado.
Entre essas respostas estão instrumentos europeus que permitem limitar os preços do gás em situações extremas, medidas que a empresa vê “de forma positiva”, embora sublinhe que se tratam de soluções de curto prazo.
Para o presidente executivo da Floene, a principal resposta deverá ser estrutural. “Os países […] têm de fazer algo para reduzir a sua dependência”, afirmou, defendendo um reforço da produção de energia dentro da Europa.
Nesse contexto, destacou o papel dos gases renováveis, nomeadamente o biometano, cuja meta europeia aponta para 35 mil milhões de metros cúbicos até 2030, como forma de reduzir a exposição a crises externas.
“Uma das soluções mais de longo prazo é de facto [...] reduzir a importação”, sublinhou.
A crise energética dos últimos anos, acrescentou, deve ser vista também como um catalisador para acelerar esta transformação. “Estes eventos […] têm exatamente esse efeito de oportunidade”, concluiu.
A escalada dos preços da energia reflete o agravamento da situação no Médio Oriente após o ataque de Israel e dos Estados Unidos ao Irão e ao encerramento do estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% da produção global de petróleo e quase 20% do gás natural liquefeito (GNL).