Petróleo cai 4,5% com sinais de aproximação do fim da guerra

A ideia transmitida por Trump de que os próximos dois dias podem trazer novidades sobre as conversações de paz permitiu reduzir as tensões e a procura por petróleo caiu, nos mercados financeiros.
Washington autoriza entrega de petróleo russo retido no mar à Índia
Washington autoriza entrega de petróleo russo retido no mar à ÍndiaSTRINGER/EPA
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A ideia de que o fim da guerra pode estar para breve acalmou parte dos receios ligados à redução da oferta de petróleo. Assim, o preço praticado nos contratos futuros recuou, na sessão de terça-feira, afastando-se da marca "redonda" dos 100 dólares.

Pelas 19h20, o barril de Brent caía 4,56%, até aos 94,83 dólares. Este é a referência europeia para as negociações de crude nos mercados de capitais e atingiu o patamar mais baixo desde a passada quarta-feira. O corte foi acompanhado pelo homónimo do mercado norte-americano, o West Texas Intermediate (WTI), que recuou 7,21%, para 91,94 dólares por barril, ou seja, estava em mínimos de 25 de março.

O recuo nos preços está ligado a uma tendência de acalmia entre os investidores, que se deveu a vários fatores.

Donald Trump tem sido o grande agente de agitações nos mercados, no decurso das últimas semanas. O presidente dos EUA fez saber que "algo pode acontecer" nos próximos dois dias, no Paquistão, onde tiveram lugar negociações com o Irão, no passado fim de semana.

De resto, horas antes, JD Vance, braço direito de Trump que liderou a comitiva, deixou a garantia de que as conversas não foram um total fracasso. Em declarações à Fox News, o próprio garantiu que a decisão ficou do lado iraniano.

Noutra vertente, a Agência Internacional de Energia (AIE) espera não apenas uma redução da oferta (em função da destruição de instalações energéticas no Médio Oriente), como também um corte na procura, ligado à subida dos preços praticados no setor.

Aquela entidade divulga mensalmente um relatório e o de abril foi publicado até esta terça-feira. Ora, de acordo com as estimativas, deverá haver uma redução homóloga de 80 mil barris por dia (bpd), ao nível da procura. Um número que contrasta fortemente com a expetativa anterior, de um aumento na ordem de 640 mil bpd. Na prática, trata-se de um corte na procura, que deverá contribuir para uma baixa nos preços.

Recorde-se que as subidas estão a causar inflação até em países que, à semelhança de Portugal, não importam petróleo de países do Golfo. Isto porque a redução da oferta disponível está a gerar subidas transversais à indústria petrolífera

Posto isto, o apetite pelo risco cresceu, com uma parte dos investimentos que estavam alocados nos futuros do petróleo a migrarem para a a bolsa e para os metais preciosos, nos que registaram subidas.

Com a guerra em foco, a 'earnings season' está na fase inicial e junta-se ao foco dos investidores, ainda que uma parte das atenções estará centrada nas perspetivas das empresas acerca dos impactos da guerra.

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