

Após as subidas acentuadas no preço do petróleo bruto, os investidores aguardam novidades da guerra. Por enquanto, certo é que os resultados empresariais vão entrar em cena... e as expetativas são altas, especialmente em Wall Street.
A volatilidade marcou as primeiras duas sessões da semana, com o petróleo a disparar sobretudo na segunda-feira (manteve a tendência na manhã do dia seguinte, mas acabaria por regressar à casa de partida durante a tarde). As bolsas registaram um dia igualmente volátil.
Wall Street registou fortes quedas a abrir a semana e as praças europeias seguiram pelo mesmo caminho na terça-feira. De ambos os lados, quarta e quinta-feira trouxeram recuperação, ainda que tenham sido dias marcados por movimentos e contramovimentos.
É que o último fim de semana trouxe uma escalada das tensões em torno do estreito de Ormuz, pelo qual passa 20% do mercado petrolífero global, quando o tráfego funciona em condições normais — algo que já não acontece desde fevereiro. Os investidores reagiram, com uma grande retirada de dinheiro da bolsa e aplicação em contratos futuros de petróleo, como é o caso do Brent e do WTI (referências na Europa e em Wall Street, respetivamente).
Descontados os efeitos da escalada da tensão, as negociações estabilizaram em torno dos 85 dólares por barril (Brent), à procura de novos sinais, no capítulo da geopolítica. Noutra vertente, o ouro continua teima em não voltar aos dias brilhantes.
Os contratos futuros do minério voltaram a baixar dos quatro mil dólares por onça, chegando a tocar os 3,978, durante a tarde de quinta-feira. Significa isto que ficaram muito próximos dos mínimos de junho, próximos daqueles que tocou em novembro (3.935 dólares). Historicamente visto como reserva de valor, o ouro sofre agora com a falta de apetite pelo risco.
Independentemente do que aconteça na guerra (com maior ou menor impacto), a época de resultados das empresas vai ganhar força, mas a importância para o sentimento geral será maior ou menor consoante as incidências da guerra.
As expetativas globais mantêm o otimismo, depois de os resultados do primeiro trimestre terem sido muito positivos. Os analistas apontam para subidas dos lucros por ação (EPS, na sigla em inglês) na ordem de 15,7% na Europa e 24,4% nos EUA, entre os resultados referentes ao segundo trimestre.
A tecnológica neerlandesa ASML apresentou contas, em que subiu as guias de receitas, deixando sinais positivos para o setor dos semicondutores.
Esta sexta é a vez da Volvo, mas as atenções estão sobretudo viradas para quarta-feira, quando é a vez da Alphabet (dona da Google) e Tesla.
De resto, ao longo da próxima semana, os investidores estarão atentos às contas de várias petrolíferas de referência (destaque para Equinor, TotalEnergies, Repsol e Exxon Mobil), à procura de conhecer as margens, num período em que o Brent variou entre 105 e 73 dólares por barril. Acrescem ainda empresas da aviação, que estão entre as que mais sentem impacto direto dos preços do petróleo, pela subida dos custos das viagens (sobressaem Ryanair e American Airlines).
Acrescem contas de empresas altamente relevantes noutros setores, como tecnologia, serviços financeiros e defesa, que vão marcar a semana.
Em termos macro, esta sexta vai ser confirmada a inflação na zona euro em junho, quando os mercados aguardam pela reunião do BCE, cuja decisão sobre a política monetária vai ser divulgada na quinta-feira. A previsão aponta para uma manutenção da taxa de juro de referência nos 2,25%, ainda que se estime uma subida de 25 pontos base (p.b.) na reunião seguinte, agendada para dia 10 de setembro.
De resto, até ao final do ano, antecipa-se uma a duas subidas dos juros. Em qualquer caso, os responsáveis já deixaram claro que as decisões vão depender da evolução de indicadores macro, como são o emprego e a inflação na zona euro.
Ora, o preço do petróleo tem, neste último, um peso decisivo, pelo que os sinais que saírem da guerra entre EUA e Irão vão ser cruciais para as decisões, pelo que o BCE é mais uma razão para continuarem a guiar o sentimento dos investidores. De referir que a homónima norte-americana, a Reserva Federal (Fed), só reúne na semana seguinte, entre 28 e 29 de julho.
Ainda na próxima quarta-feira, os EUA divulgam dados acerca dos inventários de petróleo bruto — um indicador que ganhou importância desde o início da guerra no Médio Oriente e que já atingiu mínimos de 1983. Seguem-se, na quinta-feira, contas sobre pedidos de subsídio de desemprego, também nos EUA, que podem ter preponderância nas perspetivas macro da Fed.