

Semana de fortes abalos nos mercados. A insegurança ligada à guerra no Médio Oriente provoca disparos nas negociações pelas commodities da energia e as bolsas registam uma fuga agressiva de capital.
Os primeiros ataques acontecerem no último sábado e, desde segunda-feira, dia 2 de março, a volatilidade foi palavra de ordem. As consequências da guerra estendem-se aos mercados financeiros, que já lidam com receios de um disparo no preço da energia, que teria faria subir a inflação e, quem sabe, até as taxas de juro dos bancos centrais.
Começando pelos índices de referência das principais bolsas europeias, a sessão de quarta-feira ficou marcada por alguma recuperação, que durou pouco. Esta quinta-feira, registaram-se tombos superiores a 1%, fazendo disparar para uma média a rondar os 5%, desde o início da semana.
Os efeitos são menos notórios em Wall Street, já que os EUA e as empresas norte-americanas não dependem tanto do petróleo iraniano. Assim sendo, o índice S&P 500 caiu de forma relativamente ligeira na segunda-feira e no total da semana, até perto das 19h30 desta quinta-feira, registava uma descida a rondar os 1,5%.
Nos mercados asiáticos, o sentimento negativo é notório, pondo a nu a necessidade ligada ao petróleo exportado pelo Irão. Uma ideia que é particularmente evidente na bolsa da Coreia do Sul, em função do sell-off que teve lugar a meio da semana.
O índice KOSPI, que funciona como referência na praça de Busan, registou o pior dia em 46 anos de história na quarta-feira, quando caiu cerca de 12,6%. Já esta quinta-feira, avançou 10%, num sinal evidente de agressiva volatilidade... fruto, precisamente, da dependência do petróleo iraniano.
É que aquele país é o quarto maior importador de petróleo em todo o mundo, sendo que 70% chega do Médio Oriente. Assim sendo, a economia sul-coreana está em posição de ser afetada em larga escala.
Olhando a setores, desde o automóvel à banca, as perdas são transversais, com uma exceção. Incluem a defesa, que até começou por registar ganhos, na segunda-feira... antes de cair com estrondo. A título de exemplo, o Stoxx Europe Targeted Defense, que junta empresas europeias focadas na produção e venda de equipamento e serviços de âmbito militar, caiu 5% na quinta-feira e 7% desde o início da semana.
Mas, afinal, qual o setor que escapa às fortes perdas? É a energia, que registou ganhos acentuados logo na abertura da sessão de segunda-feira e, desde então, há variações em ambos os sentidos, mas mantém-se a semana positiva, até à data.
No centro dos receios está pois, o fecho do estreito de Ormuz, por decisão do Irão. Por ali passa cerca de 20% do comércio petrolífero mundial, pelo que recai sobre o setor a ameaça de um corte repentino na oferta, que significaria um disparo nos preços ao consumidor.
Ao mesmo tempo, o Qatar é também um dos países afetados... e exporta cerca de 12% a 14% do gás natural importado pelos países europeus.
Tendo isto em perspetiva, grande parte do capital migrou das bolsas para o investimento em futuros do barril de petróleo e do gás natural, que registam disparos desde a abertura da semana.
Pelas 19h desta quinta-feira, o barril de Brent (negociado na bolsa de Londres) superava 85 dólares por barril, ao passo que o WTI rondava os 80 dólares. Em causa estavam incrementos de 21% e 25%, respetivamente, desde a abertura dos mercados financeiros na segunda-feira.
O gás natural ia ainda mais além, à mesma hora. Os contratos TTF, negociados na bolsa dos Países Baixos, dispararam 57% desde o início da semana, até aos 50,73 euros por megawatt-hora (MWh), depois de chegarem a superar os 60 euros na terça-feira.
Olhando para esta sexta-feira, os mercados vão reagir ao PIB da zona euro no quarto trimestre e a dados do emprego nos EUA. No PSI, vai ser conhecida a resposta dos investidores às contas da REN e da Impresa, apresentados após o encerramento da sessão anterior.