

Mais documentos divulgados por Donald Trump mostram um rol de transações que lhe permitiram surfar a onda dos mercados em abril do ano passado, quando o próprio agitou as bolsas de valores em todo o mundo.
O presidente dos EUA anunciou, no dia 2 de abril, aquilo a que chamou "tarifas recíprocas". Estas incidiam sobre as importações norte-americanas de quase todas as economias do mundo. Desde logo, os mercados ficaram sem chão, registando o maior crash desde a pandemia da Covid-19.
Ora, de acordo com os documentos divulgados por Trump esta semana, as contas registadas em nome do próprio em plataformas de investimento em bolsa registaram entradas no capital de 327 empresas na semana seguinte. Significa isto que o chefe de Estado terá aproveitado a queda dos mercados para comprar participações a um preço mais baixo.
Entre as 21 mil transações realizadas durante o primeiro ano no cargo, o próprio investiu em cotadas como a Microsoft, Apple, Alphabet, Nvidia e Amazon, que fazem parte do grupo das "Sete Magníficas" - as sete empresas com maior capitalização de mercado em Wall Street e em todo o mundo. O investimento em cada uma destas empresas ascendeu a 250 mil dólares, até ao dia 8 de abril.
Os documentos não demonstram preços de compra exatos ou os lucros mas, independentemente dos valores, o que é certo é que os mercados financeiros viriam a recuperar nos meses seguintes.
No dia 9 de abril, Donald Trump escreveu na sua rede social Truth Social que "Esta é uma ótima altura para comprar".
Ora, quem seguiu o conselho, viria a celebrar, horas mais tarde. É que o próprio presidente acabaria por anunciar uma suspensão de 90 dias em grande parte das tarifas que tinha anunciado. Com isto, fez delirar os mercados.
O índice S&P 500, por exemplo, acabaria por subir 9,52% naquele dia, o que significa que registou o maior rally desde outubro de 2008. O mesmo acabaria por alcançar máximos históricos em junho de 2025.
No mesmo dia, o Nasdaq e o Dow Jones subiram perto de 12% e 8%, respetivamente, ao passo que Nvidia e Apple valorizaram 18,7% e 15,3%, pela mesma ordem.
As movimentações foram consequência direta dos anúncios de Donald Trump e a carteira do próprio saiu a ganhar.