No ADN de qualquer organização está a vontade em arriscar, mesmo que o contexto seja mais exigente que o habitual e conte com desafios que fazem os mais conservadores dar um passo atrás.
Essa vontade em arriscar passa por explorar novos territórios, com a importância da internacionalização a residir, fundamentalmente, no acesso a um mercado globalmente mais atrativo e de maior dimensão. Pode também constituir uma estratégia eficaz na sustentabilidade e manutenção das operações existentes no mercado interno. Peguemos no exemplo do setor automóvel: tendo em consideração uma orientação crescente da diminuição e consolidação dos parceiros existentes, uma estratégia que agregue o mercado interno e o mercado internacional torna-se ainda mais relevante neste cenário.
Figurativamente, podemos colocar em ambos os pratos da balança o seguinte: os principais atrativos para a internacionalização de uma operação estão relacionados com o desenvolvimento de uma operação global, tendente a dar resposta aos desafios atuais e futuros do setor automóvel, no sentido de potenciar economicamente a presença nos diferentes mercados. Quanto aos riscos, os quais deverão ser reduzidos previamente à sua expressão mínima, estão relacionados fundamentalmente com a capacidade de constituição de uma gestão competente, ativa e presente, com cultura dos mercados locais, mas simultaneamente com capacidade de interação constante e regular com as estruturas acionistas. Fatores relacionados com a solidez financeira e dimensionamento do risco associado, também devem ser variáveis bem consideradas em momento anterior ao processo de internacionalização.
Há depois também uma (outra) estratégia a ter em conta num mercado altamente especializado e cada vez mais global no número de áreas em que tem influência e é influenciado. Falamos da criação de uma joint venture, que de acordo com a nossa experiência, acaba por ter um objetivo superior a um "simples" projeto de investimento, priorizando agregar valências e competências de uma entidade de dimensão e experiência internacional comprovada, a um expertise reconhecido e consolidado ao longo dos anos. Embora com dimensões diferentes, ambas as entidades contribuem com valores e visão estratégia de desenvolvimento com base em princípios comuns. E por mais que se garanta uma componente financeira sólida, quando não há um alinhamento total dos valores, é natural que mais cedo ou mais tarde essa parceria acabe por ruir.
A aposta na internacionalização deve ser vista como uma oportunidade, uma oportunidade em que além dos dados recolhidos, cenários de teste, estratégia principal e respetivas alternativas, cooperação alinhada entre as partes, deve também ser tido em conta o timing...e esse é o momento-chave em que se materializa a ambição de qualquer organização.
Pedro Rodrigues, CEO da BMCar