Messi: um sismo de 10 pontos na escala de Beckham

Futebol dos EUA sofre forte abalo com a chegada da lenda argentina a Miami. É, entretanto, só uma réplica do terramoto causado pelo inglês há 16 anos
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Debaixo de uma forte chuvada que batizou de "água benta", Jorge Mas, coproprietário do Inter Miami, classificou a apresentação de Lionel Messi naquele domingo, 16 de julho, de "momento que marca um antes e um depois no futebol dos EUA". O verdadeiro divisor de águas, no entanto, também estava presente na cerimónia mas em papel secundário, David Beckham. O argentino ex-Paris Saint-Germain pode ser o sismo mas o inglês então contratado ao Real Madrid ditou a escala.

Quando, em 2007, Beckham chegou ao Los Angeles Galaxy, a Major League Soccer (MLS) aproveitou para se revolucionar. Primeiro, criou a figura do designated player, também chamada de Lei Beckham: os clubes da MLS tinham até então um limite salarial para os jogadores, desde o britânico passaram a poder gastar o que quisessem num astro mundial; graças à regra, depois dele desembarcaram outros fora-de-série como o compatriota Wayne Rooney (DC United), o francês Thierry Henry (New York Red Bulls), o brasileiro Kaká (Orlando City) e, agora, Messi.

Depois, a MLS previu uma cláusula no contrato de Beckham com o Galaxy que lhe permitiria, no futuro, comprar um clube por 25 milhões de dólares, um preço de banana se levarmos em conta que o novato San Diego Loyal custou 500 milhões. O ex-craque acionou a cláusula em 2014 e, em março de 2020, entrava em campo pela primeira vez o clube do qual é proprietário, ao lado de Jorge Mas e do seu irmão José, nada mais, nada menos, do que o Inter Miami sem o qual Messi talvez prosseguisse na Europa.

O génio argentino vai, entretanto, ganhar uma percentagem dos lucros de merchandising do Inter Miami e da própria MLS, uma prática iniciada na liga também com Beckham, e deve atrair, como o inglês há 16 anos, novos craques para os states - Busquets e Alba, ex-colegas no Barcelona, já assinaram pelo Miami, Luís Suárez é esperado em breve e muitos outros devem chegar a outros emblemas.

Se Messi é um terramoto no futebol americano, Beckham equivale a Richter.

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