O Metro de Lisboa indica ainda que o sistema "nunca atingiu a performance prevista, estava obsoleto e vinha dando muitos problemas de desenvolvimento, quando, há cerca de 5 anos, foi desativado. Por esse motivo, aliás, teve de ser desligado durante vários períodos antes de ser completamente desativado aquando do prolongamento da Linha Vermelha ao Aeroporto e a São Sebastião", refere o comunicado.
O sistema desinstalado tratava-se do Automatic Train Protection/Automatic Train Operation (ATP/ATO), em funcionamento desde 2000 e que permitia a condução automática do sistema. O maquinista limitava-se a gerir o mecanismo. Um procedimento contrário aos relatórios internos, que alertavam, segundo a publicação, para o estado obsoleto da estrutura de transporte, adianta o Jornal de Notícias esta terça-feira, 31 de março.
No entanto, a empresa refere que em 2009 procedeu à "instalação de um sistema clássico de sinalização, tecnologicamente atualizado, semelhante ao das três outras linhas, as quais, aliás, apresentam uma carga diária de passageiros muito superior à da Linha Vermelha". Atualmente, é usado o Dispositivo de Travagem Automático de VIA (DTAV), que está em funcionamento há 37 anos. Este mecanismo controla situações de excesso de velocidade, mas não impede uma colisão, adianta um documento consultado pelo Jornal de Notícias.
Segurança garantida pelos trabalhadores
Ainda assim, não está em causa a segurança dos utilizadores do Metro de Lisboa, no entender de Anabela Carvalheira, dirigente sindical da Federação de Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS). "Isto não é novo, mas importa dizer que a segurança do metro está a ser garantida pelos seus trabalhadores já há muito tempo, apesar das políticas de desinvestimento levadas a cabo pelo conselho de administração da empresa", adiantou à Agência Lusa.
No comunicado, o Metro de Lisboa diz que se tem "pautado sempre pelo cumprimento dos principais e mais exigentes padrões de segurança, pelo que lamenta as notícias hoje publicadas".
Sistema de travagem de emergência em montagem
A ausência do sistema de travagem de emergência nas composições do Metro de Lisboa tem sido outro dos aspetos de segurança referidos nos últimos anos. Em 2012, segundo o jornal i, o sistema terá sido removido, o que levou à redução da velocidade dos comboios de 60km/h para 45 km/h. Cerca de três anos depois, o Metro de Lisboa está a iniciar a montagem do sistema em todas as composições, conforme adiantou Anabela Carvalheira, contactada pelo Dinheiro Vivo.
"O sistema de travagem de emergência já está a voltar a ser montado", adiantou a dirigente da FECTRANS. No entanto, a mesma responsável lembra que "só quando todas as carruagens voltarem a ter o sistema é que a velocidade das composições poderá subir para 60 km/h".
(Notícia atualizada às 13h50 com comunicado do Metro de Lisboa)