A Microsegur, empresa portuguesa de soluções de engenharia para proteção de pessoas e bens, está a instalar um sistema integrado de segurança no Banco Nacional de Angola, contrato orçado em oito milhões de euros. O projeto Cash Center, que visa prevenir, atuar e agir em situações de ameaça a este organismo crítico para a economia angolana, "é uma plataforma composta por várias aplicações de hardware e software, ligadas em rede, que permitem uma gestão eficaz e inteligente de todas as valências de segurança", explica Arménio Santos, CEO da empresa portuguesa. O sistema começou a ser desenvolvido já em 2021, nomeadamente as fases de desenho e planeamento, sendo que este ano toda a operação de implementação deverá ficar concluída, com o apoio de parceiros estratégicos.
Este não é o primeiro contrato da Microsegur em Angola. A empresa decidiu apostar neste mercado em 2003, quando percecionou as "necessidades muito específicas" ao nível da segurança neste país. Instalou uma equipa especializada para oferecer soluções de segurança e tecnologia e, desde aí, tem vindo a trabalhar "projetos de uma enorme complexidade e relevância, para clientes de topo", avança o gestor. Neste momento, a empresa tem "um conjunto variado de projetos na área do oil & gas, saúde, educação e indústria que estão em fase de planeamento e negociação para implementação ainda em 2022". Para Arménio Santos, Angola apresenta-se como "um mercado cheio de desafios e oportunidades" para a Microsegur.
Já com nome consolidado em Angola, a empresa prepara-se agora para estender a sua presença no continente africano. Como revela o empresário, a Microsegur vai iniciar novas operações comerciais na República Democrática do Congo e nos Camarões, ainda este ano. "Tal como aconteceu quando iniciámos atividade comercial em Angola, a decisão de avançar para estes novos mercados prende-se com o facto de termos encontrado, nestas geografias, novas oportunidades de negócios, em países com fortes necessidades nas áreas de segurança e tecnologia", justifica.
A Microsegur, que é uma referência na área da segurança nos aeroportos portugueses, tem no seu portfólio soluções eletrónicas relacionadas com a segurança passiva, ou seja, controlos de acesso, deteção de incêndio, alarmes e videovigilância. Mas, sublinha o gestor, "em todas estas dimensões, acrescentamos inteligência através das novas tecnologias e isso permite-nos oferecer aos clientes propostas de valor". Como exemplifica, a empresa desenvolve "projetos de controlo de acessos por reconhecimento facial e controlo de temperatura através de câmaras de vídeo vigilância térmicas - soluções que implementámos em empresas e espaços públicos nestes anos de pandemia -, ou plataformas integradas de vários sistemas de segurança eletrónica passiva e ativa, com inteligência de dados" muito procuradas por clientes da área de retalho. Inteligência artificial (AI), Internet das Coisas (IoT) ou machine learning são algumas das ferramentas tecnológicas utilizadas pelo departamento de investigação e desenvolvimento da empresa para dar resposta aos clientes, muitas das vezes, personalizadas.
No ano passado, a especialista em sistemas de engenharia e segurança faturou três milhões de euros em Portugal e Arménio Santos prevê duplicar este valor em 2022. Como adianta, "temos novas soluções na nossa oferta baseada em tecnologias emergentes com o IoT e a AI, que permitem à Microsegur alargar a base de clientes e os setores em que trabalha; vamos expandir para outros mercados, nomeadamente no continente africano; e se somarmos o crescimento natural da procura da nossa base de clientes, derivado de um melhor enquadramento macroeconómico, resumimos os fundamentos que temos para a estratégia de crescimento para 2022".