O crédito malparado, isto é, o montante que titulares de crédito não conseguem reembolsar a uma instituição financeira, "vai acontecer", mas "nada comparado com os níveis registados na crise pandémica", disse esta quinta-feira o administrador do Santander Totta, Miguel Belo de Carvalho, durante a Money Conference 2022, que reuniu os principais banqueiros do país.
Relativamente ao Santander, a taxa é moderada, situando-se atualmente nos 2%. "O nosso ponto de partida é robusto e temos vindo a tomar medidas", garantiu o administrador, acrescentando que, perante o cenário de risco, o banco está preparado para um agravamento dos rácios e o seu modelo de negócio conseguirá "acomodar bem esta realidade".
O alerta foi deixado: "Vamos ter mais problemas na capacidade das famílias e dos negócios". Contudo, se houver uma "normalização daquilo que é a conjuntura macroeconómica (inflação, taxas de juro elevadas), o crescimento [do malparado] poderá ser moderado", afirmou o responsável.
Segundo Miguel Belo de Carvalho, a economia portuguesa parte para os desafios que se avizinham de um patamar bastante diferente de há dez anos, tendo agora um "sistema financeiro forte", que deu resposta ao período de crise pandémica e que em 2022 se mostra resiliente. "Continuamos a crescer, mesmo num ambiente difícil", frisou.