Milhares de empresas aflitas com linhas de crédito "impingidas pelo governo"

Confederação exige medidas para responder à "situação potencialmente explosiva" das empresas que subscreveram financiamentos e que agora enfrentam subidas da Euribor.
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"Dezenas de milhares de empresas" vão ser confrontadas com uma subida abrupta das prestações ao banco por via das linhas de crédito com garantia do Estado que subscreveram durante catástrofes naturais e durante a pandemia, alertou esta segunda-feira o diretor executivo da Confederação Portuguesa das Micro Pequena e Média Empresas (CPPME), Jorge Camarneiro.

Segundo mesmo responsável, essas linhas de crédito "foram impingidas pelo governo numa altura em que a Euribor estava negativa". "As empresas pagavam zero e tinham um spread bonificado de 1,5%, mas com a subida das taxas de juro para níveis quase próximo dos 3% os encargos serão agora muito mais elevados", sublinha.

Por isso, a confederação já chamou à atenção do governo, enviado uma carta para o secretário de Estado de Tesouro, João Nuno Mendes, dando nota da "situação potencialmente explosiva em que se encontram as micro, pequenas e médias Empresas que subscreveram os financiamentos e as linhas de crédito amplamente impingidas pelo governo, como forma de enfrentar as dificuldades provocadas pela pandemia ou outras situações de calamidade", revela a CPPME num comunicado enviado esta segunda-feira às redações.

"Não acreditando que o governo tenha pretendido induzir as empresas nacionais num "conto do vigário" de efeitos desastrosos, a CPPME exige que o executivo tome medidas imediatas e vigorosas de salvaguarda das dezenas de milhares de empresas afetadas, evitando a degradação da sua condição económica e financeira, o despedimento de muitos trabalhadores e, até, no limite, o encerramento de muitas delas", pode ler-se no documento.

Segundo a confederação, a maior parte dos apoios do Governo criados durante a pandemia de covid-19, em 2020 e 2021, bem como "o que está a acontecer agora perante a escalada inflacionista" e "em todas as situações de calamidade natural ocorridas na última década", está a levar ao aumento do endividamento das empresas.

A maioria dos apoios "traduziu-se no aumento do seu endividamento através da subscrição de linhas de crédito e outros instrumentos bancários, exaltando as vantagens das taxas negativas da Euribor e da bonificação dos 'spreads'", afirma a CPPME.

"Passados menos de dois anos, estão as empresas confrontadas com o aumento abrupto da Euribor para mais de 2,25% anuais, estando praticamente garantido que o BCE [Banco Central Europeu] a fará chegar aos 4% ou mais nos próximos meses", sublinha a confederação.

"Nalguns financiamentos concedidos pelo Turismo de Portugal, o governo prometeu o perdão de parte dos mesmos (até 20%) desde que não se verificassem despedimentos no período de confinamento, o que até agora não se veio a verificar", critica Jorge Camarneiro.

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