A MindPartner quer cuidar da saúde mental dos trabalhadores durante o horário de expediente. A solução nascida em Braga a partir de um gabinete de psicologia e neurorreabilitação pretende ajudar as empresas a olharem para o espírito das suas equipas. Cada funcionário também tem direito a um "botão de pânico".
"Somos parceiros das empresas que procuram promover o bem-estar e saúde mental dos trabalhadores. Nós vamos ter com eles e não somos vistos como alguém distante. Conseguimos dar uma resposta individualmente, mas também temos uma perspetiva mais alargada", explica ao Dinheiro Vivo a fundadora da solução, Marta Parreira.
A plataforma de Braga relaciona-se com os trabalhadores e com os líderes de cada uma das empresas parceiras. É garantida a privacidade dos funcionários junto dos respetivos superiores através de acordos de confidencialidade e do sigilo profissional.
A MindPartner tem três pacotes de subscrição disponíveis, com preços de 250 a 450 euros por mês. O serviço mais acessível inclui um pacote de saúde individual, um workshop por ano, um rastreio de saúde mental a cada seis meses e um relatório global da empresa a cada seis meses.
Na opção standard, acrescenta-se uma sessão de feedback todos os meses, um pack de saúde para a família e ainda uma consulta de psicologia para cinco trabalhadores por mês.
Na solução mais avançada, é acrescentado um programa de formação de líderes e é aumentada a frequência dos rastreios e dos workshops ao longo do ano.
Todos os pacotes também incluem um "botão de pânico", que pode ser utilizado das 9h às 19h nos dias úteis. "Se um trabalhador estiver na empresa e de repente sente-se ansioso por causa de uma reunião ou de outro acontecimento, pode carregar num botão e entrar numa sessão com qualquer psicólogo da nossa equipa", explica a fundadora.
Na primeira fase, o botão será acionado através de uma opção na aplicação de agendamentos Calendly. No futuro, a MindPartner quer estar presente na plataforma Slack.
A empresa também pode ser mediadora de conflitos entre trabalhadores ou entre funcionários e respetivos superiores.
Marta Parreira teve a ideia para o novo negócio depois de a covid-19 ter chegado a Portugal. Um ano após abrir o gabinete de psicologia e neurorreabilitação em Braga, o coronavírus obrigou o espaço a fechar portas em março de 2020. Era preciso procurar alternativas.
"Tínhamos feito um grande investimento no espaço e quando a pandemia veio tivemos de nos reinventar. Como tenho pessoas na família associadas às startups, todo o ecossistema sempre me foi muito familiar", recorda.
Nessa reinvenção, Marta lembrou-se de que muitas das pessoas atendidas no gabinete de psicologia "traziam problemas relativos ao trabalho, o que prejudicava a sua produtividade. Como as situações não eram tratadas nas empresas, percebemos que podíamos fazer o trabalho de raiz dentro das companhias".
Com ajuda de amigos e de familiares, a psicóloga fermentou durante um ano a ideia para a MindPartner, que está no mercado há algumas semanas. Empresas de Braga como a Utrust e a Subvisual já estão na carteira de clientes.
Conseguir empresas de todas as partes do país e reforçar a parte tecnológica são dois dos próximos grandes objetivos.
A equipa também vai crescer nos próximos meses, com a contratação de psicólogos que dominem o espanhol, complementando as opções em português e inglês.
Além de subscrições, a Mind-Partner também vai apostar cada vez mais em workshops pagos, para já, apenas em formato remoto, e a que qualquer um pode aderir. Criar campos de treino presenciais para promover a saúde mental de líderes de empresas também está nos horizontes de Marta Parreira.
"Imagino daqui a cinco anos um espaço aberto com muita gente de psicologia a fazer workshops que podem ser presenciais ou remotos", espera a fundadora.