A Santa Casa de Lisboa vai investir 500 mil euros na edição da Obra Completa do Padre António Vieira, composta por 30 volumes, para provar que a "Cultura não é, nem pode ser, o parente pobre" em Portugal.
O projeto, apresentado hoje, dia em que se comemoram os 405 anos do nascimento do Padre António Vieira, resulta de um protocolo entre a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e a Universidade de Lisboa e que visa a publicação da obra completa e de um dicionário sobre a literatura do pregador.
Considerado pelos promotores como "um dos mais ambiciosos projetos editoriais da literatura portuguesa de sempre", o investimento da Misericórdia de Lisboa será de 500 mil euros, a serem aplicados ao longo dos próximos cinco anos.
"Nas alturas de maior crise, deve-se olhar para a Cultura de um país de um modo ainda mais empenhado", afirmou.
Sobre o Padre António Vieira, descreveu-o como alguém que, certamente, teria um papel a desempenhar atualmente em Portugal.
"Acreditou sempre que Portugal era viável, apesar das crises e dos perigos para a independência de Portugal na época em que viveu, defendeu os mais desfavorecidos e nunca os esqueceu e não se limitou a usar a palavra", disse Santana Lopes, acrescentando que "deu importância às obras e, portanto, se fosse vivo hoje em dia, além da mobilização pela palavra, certamente estaria ao lado das pessoas que mais precisam de ajuda e projetando a identidade de Portugal para fora das suas fronteiras".
Santana Lopes sublinhou que não lhe compete fazer críticas ao Governo, mas "é óbvio que, nas distribuições de verbas do Orçamento do Estado, [a Cultura] não tem aquilo que é desejável".
Por ter sido secretário de Estado da Cultura durante cinco anos, o provedor sentiu-se também com a "obrigação acrescida de fazer esta nota, numa altura em que alguns pensam, ou podem pensar, que a Cultura possa ser parente pobre. Nunca é, nem pode ser, muito menos numa altura destas".