Momo Cotton. Os lençóis de bambu à conquista da Europa

A marca ainda só tem um ano, mas já está a entrar, este ano, em Espanha e planeia, em 2024, estender as vendas, sempre online, aos mercados francês e alemão
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Lençóis de bambu é a proposta da Momo Cotton, empresa criada, no ano passado, pelos gémeos Gil e Jorge Dias, em conjunto com mais dois irmãos, Luís e Manuel. Apesar de estar à venda apenas no mercado digital, a marca já alargou a sua atividade ao mercado espanhol e conta, em 2024, prosseguir a expansão para França e Alemanha. Em 2027, a estrutura pretende faturar 27 milhões de euros.

A ideia nasceu de uma viagem que fizeram pelo sudeste asiático, onde tiveram o primeiro contacto com uns lençóis deste tecido e ficaram "maravilhados". De volta à Europa, não encontraram nada no mercado equivalente. Quando chegou a altura de avançarem com um negócio próprio, a escolha recaiu nestes lençóis, "com a promessa de serem, provavelmente, os mais suaves do mundo, e com propriedades únicas, dado que são respiráveis, hipoalergénicos, reguladores de temperatura e humidade e sustentáveis".

Gil trabalhava na banca, em Londres, Jorge em telecomunicações, na Alemanha. A vontade de fundar um negócio já existia, mas ganhou forma quando perceberam que iam ser pais, quase em simultâneo, e queriam "passar mais tempo em casa". O objetivo era encontrar algo em que houvesse "uma lacuna de mercado" na Europa, que lhes desse uma maior possibilidade de expansão, e a roupa de cama foi uma das primeiras ideias a surgir. Feitos os estudos e análises de competitividade, "percebemos que o mercado era muito grande e que havia aqui uma oportunidade", diz Gil Dias, CEO da empresa, sediada em Lisboa.

A produção é importada da China, dado que "é o maior produtor mundial de bambu, tendo vindo a promover o cultivo do bambu nos últimos anos como forma de combater a desflorestação e reduzir as emissões de carbono". A marca gostaria de produzir em Portugal, e espera vir a fazê-lo já em 2024, mas não conseguiu, no arranque, encontrar um parceiro.

"A nossa intenção era fazer isto com uma produção 100% nacional, mas visitámos muitos fornecedores a norte e percebemos que o tecido de bambu ainda não era utilizado no mercado nacional, e que não havia grande confiança no nosso projeto por não sermos da área da indústria", diz o responsável, que lembra que, no ano passado, as fábricas portuguesas não tinham mãos a medir com encomendas. Com a economia a desacelerar, já não é tanto assim.

De qualquer forma, os responsáveis da Momo Cotton acreditam que é uma questão de tempo até que possam fabricar os seus artigos em Portugal. Nem os custos mais altos para o fabrico das peças os preocupa. "A produção em si é mais barata na China, mas, com as questões logísticas e taxas que envolve, o preço final acabará por ser equivalente. Não foi uma questão de custos que nos levou à China, foi mesmo a impossibilidade de fabricar cá", garante Gil Dias.

À venda na loja online da marca, os artigos têm preços que vão dos 57 euros por um par de fronhas aos 299 euros por um conjunto hotel de luxo, que inclui uma capa de edredão, duas fronhas de almofada, um lençol de baixo ajustável e um lençol de cima. Mas há preços para todos os gostos e promoções que chegam aos 40% de desconto. De qualquer forma, Gil Dias assegura que os preços da marca são "competitivos" dentro do segmento premium onde se situa.

Quanto a vendas, a Momo Cotton tem clientes em todo o país, com especial destaque, como é natural, para os grandes centros urbanos. E, a cinco meses do final do ano, atingiu já o patamar esperado para o ano todo. O número crescente de pedidos que começaram a receber de potenciais clientes espanhóis levou a marca a criar um site específico para venda no mercado vizinho, onde a marca terá de seguir o mesmo percurso feito em Portugal.

"Primeiro é preciso quase que educar o consumidor para o que é isto do tecido de bambu para, depois sim, se assistir a um crescimento exponencial das vendas", diz. A proximidade cultural e de clima entre os dois países facilita a entrada no mercado. "Cada país tem as suas especificidades. O tamanho das camas e das almofadas não é o mesmo na Noruega e em Portugal, mas Espanha tem as mesmas dimensões, o que nos permite, mantendo tudo igual, entrar num mercado que é quatro vezes maior do que o nosso", acrescenta.

E quem compra lençóis de tecido de bambu? "As pessoas que valorizam o sono e procuram soluções para dormir bem. E, depois, há nichos de mercado, como pessoas com pele sensível e que precisam de tecido hipoalergénicos, ou aqueles que valorizam o ambiente e a ecologia e procuram produtos sustentáveis, com uma estética e um design muito simples", explica o CEO da Momo Cotton. Mas a marca não ficará por aqui e tem já em estudo várias possibilidades para alargar o seu portefólio, seja à gama de banho, seja ao vestuário.

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