Morreu Manoel de Oliveira [1908-2015]

Morreu esta madrugada o realizador Manoel de Oliveira. O cineasta tinha 106 anos.
Publicado a

Manuel Cândido Pinto de Oliveira nasceu na freguesia de Cedofeita, no Porto, a 11 de dezembro de 1908. Aniki Bobó, foi o primeiro filme realizado pelo cineasta, em 1942. Casou em 1940 com Maria Isabel Brandão de Meneses de Almeida Carvalhais, com quem teve quatro filhos.

Era o mais velho cineasta no ativo em todo o mundo. O Velho do Restelo é a película mais recente do cineasta, estreada em dezembro de 2014 por ocasião do 106.º aniversário do realizador. A obra é inspirada em textos de Camões.

Em 2013, o realizador tinha estado internado na sequência de dificuldades respiratórias. Três anos antes, num artigo "em defesa do cinema português" publicado no Público, o realizador escrevia: "Eles, como eu, sempre viveram na precariedade e na insegurança, sem reforma nem subsídio de desemprego, e sem nunca sabermos se não estaremos a fazer o nosso último filme. Eles, como eu, só temos um desejo: todos ambicionamos morrer a fazer filmes."

Na imprensa internacional, o El País dedica ao português um artigo com o título "Morreu o mítico cineasta com 90 anos de carreira".

A presidente da Associação Portuguesa de Realizadores, Margarida Gil, considerou que o cinema de Manoel de Oliveira tornará eterno o cineasta. Para a Margarida Gil, Manoel de Oliveira é uma das grandes figuras do pensamento português, por ter refletido "como poucos" sobre a condição humana.

"Destaco a sua importância no século XX e XXI. Uma pessoa que carregou toda a memória do seculo XIX e XX e que refletiu sempre, através do seu cinema, sobre a humanidade e Portugal dentro da história da humanidade. É para mim talvez a grande figura do pensamento português. Pouca a gente refletiu tanto sobre a condição humano como Manoel de Oliveira", afirmou à agência Lusa a realizadora. Margarida Gil considerou que a morte de Manoel de Oliveira traz um sentimento de desproteção, "como se a Terra perdesse a camada de ozono". "[A sua morte] É previsível, mas ninguém acredita. Como se fosse uma hipótese de eternidade que desaparecesse. Era eterno. O seu cinema fá-lo-á eterno", acrescentou a presidente da Associação de Realizadores.

O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, afirmou que a morte do cineasta Manoel de Oliveira é "uma grande perda para Portugal", considerando que a sua obra "permanecerá imortalizada" e será "eterna no coração" dos portugueses. "Trata-se de uma grande perda para Portugal, de uma figura ímpar da cultura portuguesa e da cultura mundial, com um percurso reconhecido quer no plano nacional quer no plano internacional, que deixa a cultura portuguesa mais pobre", afirmou Montenegro, aos jornalistas, no parlamento.

Para o presidente da bancada social-democrata trata-se também de "uma oportunidade para evocar um percurso muito longo de trabalho, de trabalho em função do sentir e viver português". "Estamos convencidos que ele hoje partiu, mas a sua obra permanecerá imortalizada para todo o sempre e será eterna no coração e no pulsar da vida dos portugueses", declarou.

Já a porta-voz do BE evocou hoje Manoel de Oliveira como "um grande cineasta europeu" que moldou o cinema nacional e foi um exemplo de "energia, determinação, humor e grande vontade de viver". "Bem sei que Manoel de Oliveira já tinha 106 anos, mas confesso que acreditava que este dia nunca chegava e acho que há mais pessoas que pensam isso, habituámo-nos a ver Manoel de Oliveira como estando sempre aqui, sempre a filmar, é com certeza alguém que mais do que moldar o cinema nacional é um grande cineasta europeu, que faz toda a diferença sobre o que é hoje o cinema e a cultura na Europa", afirmou.

Numa declaração aos jornalistas no parlamento, Catarina Martins afirmou que Manoel de Oliveira mudou a forma como se olha para o Porto e para o Douro. "Agora tenhamos nós metade da energia e determinação de Manoel de Oliveira, do seu humor, da sua grande vontade de viver, para que possamos ver todos os seus filmes, do Aniki Bóbó, ao Gebo e a Sombra, ao Velho do Restelo, porque é isso que precisamos de fazer", disse a líder bloquista.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt