Mulher, solteira. "A força política mais poderosa da América"

Um artigo da New York Magazine aponta "a mulher solteira" como aquela que mais move a agenda política atual
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Já não é uma ideia feminista radical. A rejeição do casamento enquanto instituição à qual não é possível fugir "foi tão amplamente abraçada que se tornou num hábito". E este é um fenómeno que não só "reconstruiu a vida da mulher média", como é aquele que mais impacto tem na política atual.

É disto que trata o trabalho que faz a capa da edição desta semana da New York Magazine. "As mulheres de hoje não estão, na sua maioria, a abster-se do ou a atrasar o casamento para provar um ponto sobre igualdade. Estão a fazê-lo porque interiorizaram pressupostos que, há apenas meio século, pareceriam radicais: que são pessoas por inteiro, capazes de viver plenamente, e sozinhas, vidas profissionais, económicas, sociais, sexuais e parentais, se por acaso não encontrarem alguém a quem queiram ligar-se legalmente", refere o artigo, intitulado "As mulheres solteiras são a força política mais potente da América".

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A capa da New York Magazine desta semana. Imagem: New York Magazine[/caption]

Para a revista norte-americana, que lembra que a percentagem de mulheres norte-americanas que são casadas está abaixo de 50% desde 2009, é este grupo que tem feito mover a agenda política. É que são as questões práticas de ser uma mulher independente que estão a levar para cima da mesa exigências como salários iguais para homens e mulheres, licenças de maternidade e paternidade pagas (nos Estados Unidos, as empresas não são obrigadas a pagar esta licença), o aumento do salário mínimo, espaços pré-escolares públicos e universais, propinas universitárias mais baratas, um serviço de saúde mais acessível, e direitos de reprodução alargados.

Todas estas são questões que também estão relacionadas com o facto de as mulheres solteiras votarem mais à esquerda, por uma larga margem. Em 2012, 67% das mulheres que não eram casadas votaram em Barack Obama, democrata, enquanto a maioria das mulheres casadas votou em Mitt Romney, republicano.

Ao mesmo tempo, as mulheres solteiras estão a ganhar peso nos votos. Em 2012, já representavam quase um quarto (23%) do total do eleitorado norte-americano. Page Gardner, fundadora do Voter Participation Center, diz mesmo que, nas eleições presidenciais de 2012, foram as mulheres solteiras que impulsionaram a participação em quase todas as demografias, representando quase 40% da população afro-americana, perto de 30% da população latina e à volta de um terço dos eleitores jovens.

Perante estes dados, a New York Magazine levanta a questão: como é que o estado civil vai afetar o voto das presidenciais deste ano. Questões como o direito da mulher de controlar a sua própria reprodução ou medidas para o fim da discriminação no mercado de trabalho podem vir a ser decididas por estas eleições, e, para já, está tudo em aberto.

Isto porque uma eventual "afinidade" que as mulheres possam sentir em relação à democrata Hillary Clinton tem sido ultrapassada pela "visão progressista" do seu concorrente Bernie Sanders. Até agora, as mulheres jovens e solteiras têm preferido Sanders. Até porque o candidato homem tem sido muito mais ativo na defesa de questões que apelam a este grupo. Clinton, por seu lado (e apesar de ter uma vida ligada à defesa da reforma do sistema de saúde ou à educação pré-escolar, por exemplo) parece menos ativa neste campo. "Não acho, politicamente, que possamos conseguir isso", disse já a candidata sobre a licença de parentalidade paga.

Resta saber se prevalece o ânimo para com a primeira candidata mulher "verdadeiramente plausível", ou se as mulheres solteiras vão responder às "promessas otimistas" de Sanders.

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